sábado, 17 de outubro de 2009

Não me pergunte...
MAURO BIAZI

Não me pergunte o que fazer da vida se você não sabe do que é feita a sua, de que sonhos ela se nutre, dos amores que ela deseja, de que aromas ela sente tanta falta, de que cores colorem seus dias, de que estação ela mais gosta, de que flores seu coração suspira, de que manhãs emolduradas por raios de sol ela tanto ama...
Não me pergunte o que dar à sua vida se você nada sabe de repartir amor, nada sabe de espreitar a noite ansiosamente transformadora, nada sabe de abrir os braços para um estranho, de assoviar uma melodia que faz dançar um beija-flor, de sentir o gosto adocicado de um beijo que rodopia os sentidos, de saltar pro dia anunciando boas novas...
Não me pergunte o que esperar da vida se você nada espera da sua, nada deseja que não seja o óbvio, nada sente quando a brisa do outono acaricia seu corpo, nada vê no balé da andorinha que veio desfrutar o seu verão, nada sabe de se dar, de doar, de repartir uma fatia do seu existir...
Não me pergunte o que é a vida, do que ela é feita, de que centelha mágica foi esculpida, qual o seu propósito, qual a razão de você respirar e andar daqui pra lá, o porquê de seres que és, de teres o que tens, de agires numa penumbra de ausência, sentimentos que dá pena, que dá dó, que causa arrepio na alma de quem ama...
Me pergunte, por fim, naquilo que você pode se transformar se abrir mão do orgulho, da indiferença, da mesquinhez, do desprezo... e então eu saberei, sem pretensão, aconselhar seu coração a ouvir o vento humano que assopra dia e noite trazendo um cheiro de amor no ar, uma lufada de esperança, uma brisa doce e envolvente a anunciar que a humanidade tem salvação... e você também.

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