sábado, 3 de outubro de 2009

Capítulo 5

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Haviam se passado oito horas e Seth continuava sem ter um plano. O sol da Califórnia ergueu-se sobre o Oceano Pacífico e cobriu a casa dos Cohen. Ele espiou pela janela. Nenhum sinal de movimento perto da casa da piscina.
-- Muito bem, Capitão Aveia, chegou o dia. Você está pronto? Silencio. – Foi o que pensei. Ótimo, você fica aqui. Eu vou enfrentar o meu destino.
Seth vestiu uma camiseta e desceu as escadas. Na cozinha, encontrou um bilhete. Sua mãe tinha ido ao escritório e seu pai estava fazendo compras no mercado. “Ótimo”, Seth pensou enquanto lia a última linha: mostre a casa para Ryan e certifique-se de que ele tome café da manhã. “Quando foi que me tornei o guia turístico da casa dos Cohen?”
Seth deixou o bilhete no balcão resmungando. Então, pegou uma rosquinha e sentou-se à mesa da cozinha. Encontrou o Caderno de Artes e Lazer na pilha de jornais e começou a ler. Seu ritual de todas as manhãs. Mas esse era um sábado diferente. Ele não conseguia se concentrar. Não com Ryan, lá fora, dormindo na casa da piscina. A agitação e o nervosismo da noite passada...


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...voltaram. A Operação Amigo Criminoso estava começando a parecer a pior idéia de todos os tempos.
Como ele iria falar com Ryan? Ele não tinha o Capitão Aveia e não era Kavalier. Por que seus pais o tinham deixado sozinho? Quando voltassem, precisava conversar com eles. Esse era um comportamento inaceitável. Eles deveriam estar ajudando e não ao contrário.
Seth jogou o caderno de Artes e Lazer na mesa e pegou seu café da manhã. Não conseguia continuar sentado em silencio, simplesmente esperando que o criminoso acordasse e entrasse para comê-lo vivo. Ele precisava fazer alguma coisa. Precisava distrair-se. Então foi para a outra sala e começou a jogar seu jogo de vídeo-game favorito. Seth estava contente, pelo menos por enquanto.
Do lado de fora, Ryan acordou surpreso. Desorientado. Por um momento, encolheu-se entre os lençóis, esperando pelo tapa de A.J. ou pelos gritos de sua mãe mandando que ligasse para o serviço para dizer que ela estava doente, mas tudo estava tranqüilo. Só o cantar de uma gaivota e o som do oceano. Ryan olhou ao redor e se lembrou de onde estava. Seria um sonho? Ele se beliscou para saber se era verdade. E sentiu a dor. Não era um sonho.
Lentamente, Ryan colocou sua calça jeans enquanto olhava em volta. A casa da piscina era quase do tamanho da sua casa toda em Chino. Ele não conseguia acreditar que tinha dormido ali. Então, se lembrou de Marissa, a garota da casa vizinha, e de ter andado no carro de Sandy Cohen e, por um momento, ficou atordoado. Raspou os dedos no piso. Um reflexo.
Saiu de lá e descobriu que a casa era ainda mais espetacular do que pensava. A piscina enorme, o gramado perfeito, a vista para o oceano. Esse era o verdadeiro paraíso. Demais para Ryan suportar de estômago vazio. Ele foi andando até a porta dos fundos imaginando que encontraria algo para comer.
Quando abriu a porta, viu-se frente a frente com Seth. Não exatamente, mas foi como ele se sentiu. Eram os únicos na casa.


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Ele ficou um pouco surpreso, mas se lembrou de Sandy ter mencionado o filho. Devia ser ele. Mas Ryan não soube o que dizer além de “oi”.
-- Oi.
“É isso. É exatamente isso”, Seth pensou. O.K. finja que está tudo normal. Apenas o ignore por um momento. Seth virou-se para a TV de plasma e continuou jogando.
Ryan ficou parado, aguardando constrangido. Ele podia entrar?
Seth se lembrou do bilhete da mãe. “seja legal”, ele pensou. O.K.!
-- É o novo Play Station – Seth falou com a melhor das intenções. Ryan deu um passo à frente.
-- Eu sei.
Talvez Ryan soubesse mais do que Seth imaginava. Agora ele estava se sentindo mal. Será que o tinha ofendido? Precisava fazer alguma coisa para consertar seu erro.
-- Quer jogar? – perguntou com a voz fraca.
Ryan hesitou um pouco. – Claro.
Ryan sentou-se no chão, ao lado de Seth, e pegou um controle extra. Eles começaram a jogar e, quando Ryan estava para destruir o ninja de Seth, Seth fez uma pausa no jogo. Lembrou-se do bilhete de sua mãe. Ryan devia estar morrendo de fome.
Ryan pareceu confuso. O que ele tinha feito?
-- Você não quer comer alguma coisa?
Então Ryan entendeu. Fez que sim com a cabeça. Seth levantou-se e foi para a cozinha. Abriu o armário e começou a listar todos os cereais conhecidos pela humanidade. Ryan estava atônito. Na casa dele era sorte ter uma caixa. Ryan disse a Seth que comeria o mesmo que ele fosse comer. Não queria deixar as coisas mais difíceis e complicadas.
Seth voltou com o cereal e voltaram a jogar. Os dois foram entrando no jogo e começaram a aproximar-se enquanto continuavam lutando na tela. “Não é tão ruim”, pensou Seth.


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Talvez Ryan não fosse um criminoso durão. Talvez fosse mais parecido com Dean, o garoto com passagem pela prisão aguardando sua chance.
Os garotos continuavam a rir e a jogar. Sandy chegou em casa do mercado e parou, imóvel, a caminho da porta. O som não era familiar. As risadas dos garotos. Ele não conseguia acreditar, mas estava emocionado. Parou por um momento e observou os garotos jogando.
-- Vai logo! Eles vão nos matar! – Seth exclamou.
-- Que tal eu te dar cobertura? – Ryan perguntou.
E Seth foi em frente. Ambos apertaram os botões com fúria, mas sem resultado. Jogaram os controles para cima. Tinham perdido. Era hora de começar um novo jogo.
Seth ficou nervoso por um momento. Precisava escolher o jogo sabiamente. Não queria parecer um babaca. Ele pensou em todos os jogos que tinha e teve a idéia perfeita. Esse jogo era legal.
-- Quer jogar Grand Theft Auto? Ryan ficou olhando para ele. – É muito bom. Você pode roubar carros... – então, Seth percebeu. Ele tinha mesmo dito aquilo para Ryan, o criminoso? O garoto que estava ali porque tinha roubado um carro? Agora ele estava ferrado. Tinha estragado tudo. As coisas estavam indo tão bem. Tentou melhorar a situação. – Não que seja legal. Ou ruim. Mas...
Sandy viu seu filho gaguejando e fazendo o que os Cohen faziam: tentando escapar pela tangente e conseguindo apenas cavar um buraco ainda maior. Entrou para salva-lo.
-- Vejo que se conheceram. – Os garotos concordaram com a cabeça. – O que estão fazendo sentados aqui dentro? Está um dia lindo. Seth, por que você não vai dar uma volta com Ryan?
“Ótimo”, pensou Seth. Agora ele podia levar Ryan para dar uma volta e apresentá-lo a todos os amigos que ele não tinha. Ou, melhor ainda, podia mostrar todos os grupos diferentes de adolescentes – os surfistas/chapados e os jogadores de pólo aquático – e mostrar como ele se entrosava super bem.


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-- Claro, pai, aqui é tão legal... Tem tanta coisa pra fazer... – Seth estava se sentindo triste em Newport e não tinha vontade de sair, mas então percebeu que Ryan estava olhando para ele. Ele precisava de uma resposta melhor. – A menos que... o que você quer fazer?
Então, Ryan, sem ter muita certeza de que ele quisesse saber a resposta mas bastante curioso, perguntou:
-- O que vocês costumam fazer por aqui?

Seth mostrou a casa para Ryan e depois andaram até a praia. Lá abaixo da casa dos Cohen e de Marissa, Seth aprontou seu veleiro. Ryan tentou ajudar mas só estava atrapalhando. Não sabia nada sobre barcos.
O único barco que já tinha visto de perto era o barquinho de brinquedo com que ele brincava na banheira quando era criança, e essa era uma lembrança antiga. Tudo nesta praia o surpreendia. Ele nunca tinha vivido em lugar onde se pudesse caminhar até a praia e ter seu próprio barco. A coisa mais legal de que tinha se aproximado a pé ao sair de sua casa tinha sido o Slip and Slide* que a mãe de Theresa trouxera um dia para casa quando eles eram crianças. Ela o encontrara em um bazar na casa de Irvine, quando estava voltando do trabalho. Esse também tinha sido o mais perto que Ryan já tinha chegado de tanta água.
-- Pronto? – Seth perguntou enquanto colocava lentamente o barco na água.
Ryan olhou a vastidão do oceano à sua frente. Ele não conseguia acreditar que ia fazer isso. – Lógico – disse, enquanto ajudava Seth a empurrar o barco para a água.

*brinquedo feito em material semelhante ao de piscinas plásticas que tem a forma de duas pistas de corrida. Ligado a uma mangueira, solta água pela parte central e as crianças podem escorregar.


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Seth subiu na parte de trás do barco, arrumando o leme, para garantir que pegariam o vento certo. Ryan podia perceber que isso era algo que Seth fazia com freqüência. Ele estava impressionado. A maioria dos adolescentes que conhecia só sabia matar aula e se esconder da policia, ou, como seu irmão, roubar carros. Ele nunca tinha conhecido alguém dessa idade que fosse apaixonado por alguma coisa, mas dava pra ver que Seth realmente gostava daquilo.
-- Faz tempo que você faz isso?
-- Meu avô me ensinou quando eu tinha seis anos. Ele veleja muito. Tem um iate também. De vez em quando eu piloto. Mas não é sempre.
Ryan concordou com a cabeça. Então...
-- Mude a direção! – Ryan olhou para ele. “O quê?” – Vire! – E, de repente, Ryan viu a vela balançando acima de sua cabeça. Ele entendeu.
-- Virando!
Ryan abaixou e passou para o outro lado do barco. Não era tão divertido assim. Ele estava assustado. Seth percebeu seu desconforto.
-- Relaxa! Na pior das hipóteses você cai na água.
Mas isso não acalmou Ryan. – Eu não sei nadar!
Agora Seth estava se sentindo mal. Primeiro, ele tinha ofendido Ryan quando presumiu que ele não soubesse o que era o novo Play Station, depois falou sobre roubo de carros e agora estava com Ryan no meio do oceano e ele não sabia nadar. Quando voltasse, teria um amigo a menos do que tinha antes. “Será que é possível ter amigos negativos?” Ele pensou. E se Ryan se afogasse? O que seria pior?
-- Eu dificilmente viro, mas por via das dúvidas me melhor você colocar isto – Seth disse enquanto entregava um colete salva-vidas para Ryan e tentava acalmar a situação.
Ryan pegou o colete e ficou olhando meio sem graça, mas Seth entendeu. “Eu também deveria colocar um...”


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Os garotos velejaram em silencio enquanto Seth se afastava da costa. Dali, Ryan podia ver toda a bela extensão da praia de Newport. E embora ainda estivesse apavorado com o mar aberto, estava muito embasbacado com as mansões alinhadas sobre os penhascos e as praias para se importar. Uma casa dali era maior do que um quarteirão inteiro de casas em Chino. Ryan pensou na sua casa. O que iria acontecer com ele ali? Ele voltaria para Chino um dia? Ele veria Theresa novamente? O que sua mãe diria quando ele voltasse? Ele tinha, realmente, sido expulso para sempre?
Seth estava se sentindo desconfortável com o silencio. Ele podia ver os olhos de Ryan movendo-se rapidamente, como se estivesse pensando. Seth ficou nervoso. “Esse cara deve estar me achando um completo imbecil”, Seth pensou. “Provavelmente ele está entediado. Isso não é como roubar um carro. É uma comparação sem graça.” Ele se sentiu um babaca. Mas precisava pensar em algo para dizer. O silencio o estava matando e ele precisava redimir-se por ter levado Ryan para um passeio tão monótono. Não havia ondas e o vento estava começando a diminuir. Isso não era velejar de verdade, mas talvez Ryan não percebesse. Seth procurou alguma coisa, qualquer coisa para começar uma conversa.
-- Então... é a primeira vez que você veleja. Está gostando? Ryan não respondeu. Não conseguiu. Sua cabeça ainda estava em Chino. Mas Seth estava sendo tão legal. Ele fez que sim. Seth também acenou com a cabeça.
-- Eu amo.
Mas o plano de Seth não tinha funcionado. Lá estava o silencio de novo. “E agora?”, ele pensou. Ryan ficou olhando para a costa. Para as casas. Para a casa de Marissa. Seth estava ficando incomodado. Será que ele podia contar sobre Summer? Seu plano. Talvez Ryan gostasse. Achasse charmoso. Mas que idiotice, para que ele iria querer que Ryan o achasse charmoso? Ele não queria, mas precisava dizer alguma coisa. Alguma coisa sobre o qual pudessem conversar. Algo que durasse todo o caminho de volta até a praia.


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Ryan continuava pensando em Chino, sobre como tinha abandonado Theresa. Sobre seu irmão, em uma cela escura e úmida e se sentia culpado por estar ali, no meio do oceano, por pensar em Marissa. E se sentiu culpado por não dar atenção a Seth.
Voltou-se para Seth enquanto ele continuava a falar. Seth tinha se decidido. Iria contar seu plano para Ryan.
-- eu tenho esse... plano. Ou, não sei. Você pode achar... – ele não acreditava que estava fazendo isso. – Que seja, talvez, mas... – não era como contar para o Capitão Aveia. – Em julho do ano que vem, os ventos vão virar para oeste. E eu... bem... eu quero ir para o Taiti. Posso fazer isso em 44 dias. Talvez até 42.
Ryan não sabia direito o que responder; nunca tinha conhecido ninguém com planos tão grandiosos. – Nossa. Isso parece... – Ele queria dizer que parecia incrível. Como um dos melhores planos que ele já tinha ouvido, mas não podia. Não queria que Seth o achasse delicado.
Mas Seth terminou a frase para ele. – O máximo? Será que Ryan estava entendendo mesmo? Seth estava em choque. Nunca tinha contado esse plano para alguém de verdade antes. Tomou coragem e decidiu continuar. – Sem regras. Sem mapas. Só o sol e as estrelas. E, talvez, um sextante. Pescar peixes direto do barco, grelha-los bem aqui. Silencio total. Solidão.
Ryan continuava atônito. Seth tinha sonhos. E também acreditava neles. Isso era incrível para ele. Ele queria saber mais: – Não vai se sentir triste e solitário?
Seth respondeu sem pestanejar: – Vou levar Summer comigo. – Ele abafou as palavras. Tinha estragado tudo.
Ryan olhou para a lateral do barco. Estava escrito Summer Breeze. – É isso que você vai levar pro Taiti?
Então Seth percebeu que era o fim. Um amigo negativo. Ele estava prestes a soar incrivelmente patético. – Não. A garota que inspirou o nome do barco.


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Ryan achou que ela deveria ser alguma namorada. Ele nunca tinha feito nada tão doce para Theresa e eles se conheciam desde os cindo anos de idade. Mas talvez as relações funcionassem dessa forma por aqui.
-- Ela deve ter ficado muito contente.
Seth estava apavorado com as palavras que ias sair de sua boca: – É... ela não faz idéia. Nunca falei com ela.
Agora Ryan estava se sentindo mal por ter trazido o assunto à tona. Ele percebeu que esse era o assunto doloroso ara Seth e poderia jurar que ele estava constrangido. Voltaram para a praia em silencio. O vento soprou forte outra vez. Ryan agarrou com força a lateral do barco. Os nós dos dedos ficaram brancos quando ganharam velocidade e aportaram na areia macia.

Sandy desceu a colina para encontrar os garotos enquanto eles tiravam o barco da água.
-- Então, Seth, eu estava pensando que nós poderíamos ir ao desfile de moda por volta das sete?
“Ótimo”, Seth pensou. As dificuldades e os problemas do ano escolar começariam mais cedo.
-- Divirta-se – Seth retrucou.
Ryan se perguntou por que Seth não queria ir. Ele olhou para cima e viu a casa dos Cooper. Ficou pensando em Marissa. Seria ela na janela? Ele não conseguia tirar a imagem dela de sua cabeça desde a noite passada. Sua pele bronzeada, seus cabelos loiro-escuros. E o cigarro da sorte que ela tinha fumado. Ele precisava encontra-la. Ele precisava daquela sorte.
Seth e seu pai continuaram a discutir sobre o desfile, mas Ryan só conseguia pensar em Marissa. Havia algo nela que o intrigava. Fazia com que ele se sentisse vivo nesse mundo perdido.
-- Bem, o Ryan precisa ir. A Marissa o convidou. – Até Sandy sabia disso. Seth ficou surpreso.
-- Ela convidou? – Seth começou. – Sou vizinho dela desde...


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... sempre, minha mãe quase se casou com o pai dela e ela nunca me convidou nem para um aniversário.
Agora Ryan estava entendendo a situação de Seth. E se sentiu solidário. No momento ele também se sentia um intruso. Ryan resolveu ajudar Seth. – Talvez a Summer esteja lá...
-- Ela é a melhor amiga da Marissa... interessante... Às sete? Seth também iria ao desfile.
Ryan sorriu por dentro. Estava feliz por ter feito algo por alguém pra variar. Esse era mais o seu estilo. Ele tinha gostado de Seth e sentia por ele.
Seth foi caminhando para casa, deixando Sandy e Ryan sozinhos. Ele sentia que o dia tinha sido de moderado sucesso. A Operação Amigo Criminoso poderia funcionar no final das contas. Talvez ele tivesse se exposto um pouco demais na história da Summer, mas fora isso, as coisas não pareciam tão ruins.
Sandy esperou até Seth não poder ouvir. – Quem é essa Summer?
-- Eu não me preocuparia com isso – Ryan disse, lembrando-se do sonho que Seth havia lhe contado no barco. Sandy deu-lhe um tapinha nas costas e foram subindo a colina para se prepararem para o desfile.

Logo acima, Marissa estava na varanda. Assistindo. Observando Ryan enquanto ele caminhava com Sandy. Seu tórax forte. Os músculos aparentes. Ela não conseguia tira-lo de seus pensamentos desde a noite anterior. Havia algo de diferente nele. Ele a intrigava. Fazia com que ela esquecesse a monotonia de Newport. Sua vida mundana. Ele era seu vestido Pucci. Sua válvula de escape. E ela queria mais.Continuou olhando enquanto ele entrava na casa. Refletindo. Ela o veria mais tarde.

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