domingo, 15 de novembro de 2009

Capítulo 7

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-- Vamos lá, Marissa – disse Luke, enquanto tentava levantar sua blusa. Mas Marissa colocou a mão sobre a dele, mostrando que não queria.
-- Luke, não – ela falou rindo, tentando deixar a situação mais leve.
-- Seis anos. Será que algum dia nós vamos...?
-- Vamos. Mas não aqui. Não agora. – Marissa disse enquanto passava os olhos pela traseira da caminhonete de Luke. Eles tinham parado na praia, no terreno entre as casas da Rua 51, e ido para a parte de trás da caminhonete para dar uns amassos. Como sempre, as coisas foram esquentando e Luke queria ir mais além. Mas Marissa ainda não estava pronta para fazer sexo com ele. Especialmente agora. Ela não queria ter sua primeira vez na traseira de uma caminhonete.
-- Você sempre diz isso. Quando, Marissa? Quando vai ser?
-- Vamos pra casa da Holly. Todo mundo já deve estar lá – disse Marissa, desviando-se da pergunta e saltando para fora da traseira da caminhonete.
Luke ficou sentado por um momento. Ele estava ficando impaciente. “Quando?”, ele pensava, “quando isso vai acontecer?”.


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Ele não tinha muita certeza de quanto mais poderia agüentar sem fazer sexo com ela. Parte dele queria esperar e fazer desse momento algo especial, mas a outra parte era somente um adolescente cheio de desejos.
Marissa sentou-se no banco de passageiro e ficou esperando por Luke. Por que sempre que eles iam dar uns amassos terminava assim, com Luke ficando irritado por ela não querer dormir com ele? Ele não entendia que ela ainda não estava pronta. Por mais que ela quisesse que as coisas fossem diferentes em Newport, ainda não estava pronta para dar esse passo. Além do mais, ela tinha o Ryan para olhar agora, e ele era exatamente a válvula de escape de que ela precisava.
Luke entrou na caminhonete batendo a porta atrás dele. Marissa tentou beija-lo, mas ele se afastou e pisou fundo no acelerador, saindo raivosamente da areia.

-- Bem vindo ao submundo – Ryan disse para Seth, enquanto entravam na casa de praia de Holly.
O lugar estava uma completa bagunça. Jovens enchendo copos plásticos de bebidas. Barris. Carreiras de cocaína em espelhos sobre a mesa. Funis para beber cerveja em um gole só e bongs para fumar. Meninas rebolando no colo dos garotos. Potes cheios de camisinha. Música no máximo volume.
Ryan estava chocado. Era uma festa típica de Chino com alto orçamento. Não encontraria nenhum careca tatuado cobrando um dólar pela cerveja por aqui.
Seth e Ryan continuaram andando pela festa, passando por garotas dançando de biquíni e minissaia enquanto se dirigiam para o quintal, na parte de trás da casa.
-- Aí, barril novinho. Vocês não querem uma bebida? – um cara bêbado com uma camisa colorida, que se intitulava “Cara do Barril”, gritava para a festa toda.
-- É isso aí... – disse Ryan, enquanto pegava um copo.


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-- É isso aí? É isso aí. É sim – Seth ficou valente. Ele nunca tinha bebido nada em toda a sua vida.
Ryan segurou seu copo sob a torneira e inclinou, para não vir muita espuma, enquanto o Cara do Barril abria a torneira. Seth observou e fez igual quando chegou a sua vez. Mas alguma coisa deu errado e ele ficou com mais da metade do copo cheio de espuma e só um pouco de cerveja.
-- Desculpe pela espuma, cara. Olha só. Se você pegar um pouco de óleo do seu nariz e misturar na cerveja, acaba a espuma! – disse o Cara do Barril, enquanto enfiava o dedo oleoso na cerveja de Seth.
-- Por que eu iria beber o óleo do meu nariz? – perguntou Seth meio enjoado pelo cara ter pego óleo do seu próprio nariz e colocado na sua cerveja.
-- Cara, não sei – o Cara do Barril respondeu, meio perdido. Ninguém nunca tinha questionado a teoria antes... para ele era a lei dos bebedores. Imutável.
Seth e Ryan pegaram seus cervejas e voltaram para dentro, ambos sentindo-se deslocados.

Quando Marissa chegou, Summer e Holly vieram correndo encontra-la, cheias de beijos e “Oh, Marissa”, como se não a vissem há anos. Luke ficou atrás dela, mas, rapidamente, aproveitou a deixa e foi encontrar-se com Nordlund e Saunders na praia.
As garotas se reuniram na cozinha e começaram a se servir de bebidas.
-- Essa bolsa é nova? – Summer perguntou enquanto Marissa colocava vodka em seu copo.
-- Uma graça – Holly respondeu segurando-a.
-- Seu pai nunca diz não?
Marissa estava quase respondendo “sim”. Mas então se lembrou do vestido Pucci e de que ele tinha lhe dado o dinheiro para compra-lo. “Acho que ele nunca diz não.” Então ela pensou em...


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...seu pai encolhido na cadeira durante o desfile e em como tinha certeza de que tinha feito algo de errado. Tomou um gole de seu drinque e mostrou um sorriso meio amarelo para as meninas. Mas elas estavam muito ocupadas vendo os garotos que estavam na festa. Ela colocou mais vodka em seu copo, deu um gole e colocou mais um pouco.
-- Olha só quem eu trouxe – Summer começou enquanto passava os olhos pela festa.
-- Ele é uma graça – Holly sorriu.
Marissa levou o copo até a boca e deu um gole enquanto virava a cabeça para ver de quem as meninas estavam falando. Era Ryan, com Seth a reboque. Estranhamente navegando nessas novas águas sociais. Marissa observou-o cuidadosamente. Ele era atraente. E misterioso. Ela o fitou, mas virou a cabeça quando seus olhares iam se encontrar. Ela não queria que ele a visse. Queria ser misteriosa também. Deu mais um gole em sua bebida. Estava forte, mas era assim que precisava ser.
-- Vou fazer gato e sapato dele – Summer começou enquanto media Ryan de alto a baixo. Então, virou-se para as meninas: – Alguém quer fazer xixi? Eu preciso fazer xixi.
As garotas se viraram e foram juntas ao banheiro. Assim era Newport, e nenhuma garota ia ao banheiro sozinha. Era a tradição, e nada fugia a tradição nessa cidade. Então, Marissa pegou seu copo e, mesmo odiando as tradições, seguiu as meninas rumo ao banheiro.
Ryan viu-as desaparecerem. Ele não conseguia tirar os olhos de Marissa. Estava preso a ela. Tomou um gole de sua cerveja e sorriu.
Luke entrou de novo e ficou a poucos metros de Ryan. Viu Marissa fechar a porta do banheiro. Quando teve certeza de que ela não estava mais na área, virou-se para Nikki, uma caloura bonitinha que estava ao seu lado.
Ela sentiu os olhos dele sobre ela e disse:
-- Você não acha que a areia deve estar... bonita? E a água?


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Luke olhou para a covinha dela, tão bonitinha, e pensou, “talvez não tenha problema”. Voltou-se ara o banheiro. A porta continuava fechada. Então, respondeu para Nikki:
-- Com certeza. Quer ir até lá?
Nikki virou-se para o lugar onde tinha visto Marissa conversando com Summer e Holly. – Mas, e se...
Ele olhou de novo e vi que Ryan o observava. A porta do banheiro continuava fechada. – Não se preocupe...
Nikki pegou no braço de Luke e seguiu-o até a praia. Não havia chance de ela dizer não para ele. Ryan os viu caminhando juntos. Vendo-os, ele pensou: “Por que Luke deixaria Marissa?”.

Dentro do banheiro, as meninas riam enquanto viravam seus drinques. Estavam falando de Ryan e dos outros caras gostosos da festa.
-- Ele é gostoso, você não acha Coop? – perguntou Summer. Marissa sorriu, “claro”, mas Holly percebeu sua resposta pouco animada.

-- Ele não é o Luke, claro. A gente sabe. Ninguém se compara a ele. Mesmo assim é um gato.
Marissa riu com o comentário de Holly. “Engraçado.”
-- Falando no Luke, vocês demoraram bastante pra chegar aqui esta noite. Vocês...?
-- Summer! Não – Marissa respondeu rapidamente, enquanto abria a porta do banheiro. Ela sabia o que Summer estava perguntando e não estava afim de contar todos os detalhes para as meninas. Que Luke queria transar com ela na carroceria de sua caminhonete na praia, na Rua 51. – Vamos, eu preciso de outra bebida.
As duas seguiram Marissa até a cozinha.
Do lado de fora, Seth estava indo buscar mais cerveja. Ele estava começando a ficar tonto. “Então é isso que é ficar...


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...bêbado”, pensou, enquanto abria a torneira. O Cara do Barril veio ajuda-lo a servir-se. Pegou uma para o Ryan e foi encontra-lo do lado de dentro.
-- Aqui está, camarada – Seth disse, entregando outro copo para Ryan. – Peguei mais cerveja para você. – Valeu – disse Ryan ao pegar o copo das mãos tremulas de Seth.
Seth estava nervoso. Ele tinha acabado de chamar Ryan de “camarada”. E eles ainda nem tinham ultrapassado a linha da amizade. E ele o estava chamando de “camarada”. “Isso foi péssimo”, pensou. Era como chamar uma garota de “amor” depois do segundo encontro. Ele tinha destruído tudo. A Operação Amigo Criminoso estava acabada. Seth virou-se imediatamente e voltou a sair da casa.
Ryan ficou sozinho bebendo sua cerveja. Vendo a bagunça que era essa festa em Newport. Casais se pegando pra todo mundo ver. Os surfistas dando uns pegas no bong. Alguns caras cheirando cocaína na mesa. Não era uma festa típica de adolescentes, mas era bastante interessante. Ryan foi até o bar, numa tentativa de misturar-se. Ele tinha terminado sua cerveja e acabara de encher outro copo quando Marissa se aproximou.
-- Então, você ainda não me disse. O que está achando de Newport? – ela perguntou, sorrindo.
Ryan observou a festa a sua volta. Depois os olhos fascinantes de Marissa.
-- Acho que posso me meter em menos encrencas no lugar de onde eu venho.
-- Você não tem idéia... – ela respondeu, pegando o copo dele e dando um gole. Ela preparou um outro drinque mais forte para ela e mexeu, enquanto lambia uma gota de seus lábios. Os dois ficaram se olhando por alguns segundos, ambos encantados um com o outro.
-- Coop, é a sua vez de dar as cartas – Holly gritou da cozinha, interrompendo a conexão entre os dois. Marissa sorriu para Ryan. – Preciso ir. E foi andando, flutuante.


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Ryan ficou ali sozinho. Pensando se Marissa sabia que Luke estava do outro lado de fora com Nikki, enquanto a observava jogando cartas com as amigas. Sentiu-se mal por ela, mas, mais do que isso, estava louco com Luke por colocar em risco sua relação com uma garota tão linda. Ela merecia algo melhor.

No quintal, atrás da casa, Seth tinha descoberto o barril. Estava já bem alterado. Sentia-se solto e quase descolado. Serviu-se de mais cerveja. O copo ficou cheio de espuma. “Ótimo”, ele pensou. Mas não existia a menor possibilidade de ele pegar óleo do nariz e colocar na bebida.
-- Você se importa? – Seth perguntou para o Cara do Barril apontando para o barril com a cabeça. O Cara do Barril esvaziou seu copo, serviu-lhe outro e afastou-se um pouco, dando espaço para Seth.
Seth bebeu sua cerveja e, então, sentou-se junto ao barril, virando-o para o seu lado. Ele puxou a mangueira e abriu a torneira, inspecionando.
-- Entendi como funciona – Seth começou a dizer para si mesmo. – O dióxido de carbono do tanque é usado para pressurizar o barril. “Interessante”, ele pensou. – Interessante. Então, você usa o regulador para baixar a pressão e... voilà.
Alguns jovens tinham se reunido em volta para ver o que ele estava fazendo.
Seth colocou o barril de volta na posição e serviu-se de mais um copo cheio. Sem espuma. Ele virou a cerveja e encheu o copo outra vez.
Os jovens aplaudiram.
-- Viram? Não precisa de óleo de nariz – disse, virando-se para o Cara do Barril. Mas o Cara do Barril tinha desmaiado e alguns adolescentes estavam desenhando baixarias em seu rosto...


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...com caneta retroprojetora. “Mais pra mim”, Seth pensou enquanto terminava sua cerveja e enchia o copo novamente... e saiu tropeçando para ver como estava a festa.

Ryan serviu-se de mais um drinque no bar da cozinha e foi caminhando para onde estava mais cheio de gente. Ele não conseguia acreditar que os pais desses adolescentes tivessem dado permissão para eles fazerem uma festa tão exorbitante. Tinha bebida derramada por todo o chão e, a cada quinze minutos, mais ou menos, ele ouvia um barulhão e um forte “uh-oh”. Era uma garota de biquíni escorregando. “Newport não é tão ruim assim”, pensou. Mas, ainda assim, ele se sentia completamente deslocado. Ele já tinha visto muita droga, álcool e sexo, mas não tão abertamente. Ele sempre tinha achado que os ricos tinham tudo... e não precisavam de drogas ou álcool. De onde vinha, os jovens usavam drogas e bebiam porque não tinham nenhuma outra coisa para fazer. Porque não tinham futuro. Ninguém lá tinha o sonho de se tornar médico ou advogado, ou tinha pais com carreiras brilhantes. De onde ele vinha, o cara tinha sorte se fosse promovido a chefe ou gerente de uma fábrica local. Mas, agora, Ryan estava em meio a um mar de riquezas e se perguntava – seria esse o futuro? Os ricos – médicos, advogados e magnatas do ramo imobiliário? Se sim, onde ele se encaixaria?
Ryan foi andando até o quintal para respirar um pouco de ar fresco.
Dentro da casa, Marissa se serviu de outro drinque. Summer, que já estava um pouco mais do que tonta, reparou que Ryan estava sozinho do lado de fora.
Ela foi cambaleando até ele, enquanto Marissa ficou olhando de longe, colocando mais vodka em sua bebida.
-- Olha quem eu encontrei! – Summer falou com a voz enrolada e um pouco de sua bebida espirrou em Ryan. – Oops... Oi – ela terminou, tentando seca-lo desajeitadamente.


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-- Oi.
-- Oi – ela disse, aproximando-se. – Estou bêbada.
Ryan concordou com a cabeça, um pouco desconfortável, enquanto ela dava em cima dele.
-- Então, como é mesmo seu nome? – Ela falou, colocando o braço em volta do pescoço de Ryan, flertando.
-- Ryan – ele respondeu ainda mais desconfortável, pensando em Seth.
-- Eu estou tão bêbada, Ryan. Preciso de alguém para cuidar de mim. O.K.? – Ela o encostou contra a grade.
Ryan tropeçou. Não sabia o que fazer. Rir? Aproveitar? Mas lembrou-se de Seth e tentou sair. Summer o tinha encurralado. Ele não iria a lugar algum.
Do lado de dentro, Seth tinha dado uma volta pela festa e estava voltando para o quintal para pegar mais cerveja.
Summer jogou-se para cima de Ryan, tentando beijá-lo. Seth abriu a cortina. Tinha ouvido a voz de Ryan.
-- Você precisa ver o barril. Eu consertei e... – Seth parou, atônito, vendo Summer em cima de Ryan.
-- O que... o que é que vocês...
-- Seth. Oi. – Ryan falou, conseguindo finalmente desvencilhar-se de Summer.
Mas Summer foi atrás dele. – Com licença.
-- O que você está fazendo? Quero dizer, eu dei o nome dela pro meu barco – Seth disse, arrasado e bêbado.
-- O que? Eca. Quem é você? – balbuciou Summer, enquanto se aproximava de Ryan.
Ryan virou-se para Seth, tentando consertar a situação. – Não é o que você está pensando. Ela só está bêbada.
-- Para com isso Ry-Ry – Summer falou, jogando-se para cima de Ryan.
-- Não acredito em você! – Seth falou, empurrando Ryan contra a porta de vidro. A festa estava se acalmando. Curiosa, Marissa levantou-se da cozinha e foi ver o que estava acontecendo.


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Seth não ia deixar barato. – Por que você não volta para Chino? – Seth falou para Ryan. – Tenho certeza de que vai encontrar um bom carro estacionado por lá para roubar. Todos ficaram imóveis e em silêncio. Seth foi tropeçando para a praia.
-- Chino? Eca... – sussurrou Summer.
Ryan ficou sozinho. Marissa cruzou seus olhos com os dele. Mesmo estando bêbada, percebeu que tudo o que ele tinha contado a ela na noite anterior era verdade. Ele era um ladrão e não primo dos Cohen. Talvez ele não fosse tão bom quanto ela tinha achado. Ele era uma enganação, um Pucci falsificado. Cambaleante, voltou para perto de suas amigas e pegou sua bebida, enquanto Ryan passou correndo por ela. Ele estava constrangido e envergonhado. Não queria que a noite tivesse terminado assim.
Precisava ir embora. Voltar para Chino. Ir para qualquer lugar, só não podia ficar ali.

Na praia, Seth tentava seguir seu caminho passando pela fogueira, mas foi parado por Nordlund e Saunders com mais alguns amigos.
-- Vai pra casa, seu bicha. – Nordlund gritou.
-- Quem te convidou, seu bundão? – Saunders rebateu.
A verdade é que tudo o que Seth queria fazer era ir para casa. Ele não queria problemas. Só precisava de uma carona ou de orientação. A cerveja estava começando a baqueá-lo e a Operação Amigo Criminoso tinha terminado.
Mas Nordlund e Saunders ainda não tinham encerrado seu assunto com ele.

Quando Ryan se aproximou da porta da frente, ouviu gritos vindos da praia. “Seth”, ele pensou. E voltou para dentro da casa.
-- Você não é daqui, Cohen – Nordlund grunhiu, enquanto pegava a perna de Seth.


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-- Eu sei... – Os garotos pegaram a outra perna e os braços de Seth, levantando-o da areia. – E se me deixar ir, prometo não voltar nunca mais.
-- Tarde demais. – disse Saunders, enquanto arrastavam Seth em direção ao mar. Seth tentou libertar-se, mas foi inútil.
Ryan estava no quintal e viu Seth suspenso no ar. – Ei, ei! – ele gritou enquanto corria para a praia.
Luke também tinha ouvido toda a barulheira e veio correndo, logo atrás com Nikki toda desarrumada.
-- Coloquem ele no chão – gritou Ryan, olhando para Luke e Nikki.
-- O que foi cara? Algum problema?
-- Depende de você – Ryan respondeu, enquanto cerrava o punho e dava um soco no rosto de Luke. “Isso é pela Marissa, e pelo Seth.”
Os outros, repensando suas prioridades, largaram Seth e foram para cima de Ryan. Ryan desviou-se, mas foi acertado por outro cara. Então, Luke entrou na briga e jogou Ryan na areia. Todos pularam em cima dele. Seth estava mais para trás, mas sabia que não podia esperar por muito tempo. Tirou um dos caras de cima do Ryan, e ficou chocado com sua força.
Ele continuou atônito, mas, rapidamente, também tombou na areia. Luke e sua turma continuavam a socar e a chutar Ryan. Seth estava caído, imóvel. Os dois estavam rendidos, só esperando a briga terminar.
Luke deu um último soco em Ryan e chutou areia em seu rosto. – Bem vindo a O.C., desgraçado. É assim que se resolvem as coisas em Orange County. Se eu o vir de novo por aqui você está morto. Ouviu? Morto!
Luke e seus amigos foram embora, deixando Ryan e Seth na areia.
Marissa, Summer e Holly estavam no quintal com o resto do pessoal, assistindo a briga terminar. Marissa e Summer voltaram a beber. Ryan não era quem elas achavam que era. Mas Holly...


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...demorou a segui-las. Ela ficou lá um pouco e viu Luke indo para a caminhonete com Nikki. Balançou a cabeça, espantada, não poderia contar isso nunca para Marissa.

Ryan e Seth levantaram-se lentamente da areia. A dor espalhava-se pelo corpo todo. Foram tropeçando silenciosamente pela praia e começaram a longa caminhada para casa.

Na praia, Luke e Nikki estavam deitados na carroceria da caminhonete dele.
-- Onde foi que nós paramos? – ele perguntou enquanto a beijava.

Dentro da casa, Marissa terminava a bebida que tinha deixado sobre a mesa.

Ryan e Seth caminhavam. Em silêncio.

Nikki inclinou-se sobre Luke, rindo. Ele desabotoou sua blusa. Ela sorriu e o incentivou. Ele sorriu de volta, beijou sua pele suave enquanto ela passava as mãos pelos cabelos dele. Ele tirou a camisa, deixando-a passar as mãos em seu peito.

Marissa tomou outra dose. Essa noite tinha sido um desastre. Ryan era uma farsa.

Ryan limpou a areia do rosto. Seth tropeçou.

Luke disse algo baixinho no ouvido de Nikki. Ela fez que sim com a cabeça.

Marissa serviu-se de outra dose. Com vodka extra. Ela precisava fugir. Onde estava Luke?


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Seth ia na frente enquanto caminhavam pela cidade. Ambos com dores.

Nikki beijava Luke.

Marissa engoliu metade do copo de uma vez, sentindo a bebida entrar em sua corrente sanguínea. Ela tropeçou. Caiu na cadeira. O que é que ela tinha feito para o seu pai?

Ryan sentiu-se culpado e egoísta. Será que Seth o odiava?

Luke estava quase se sentindo culpado. Então, Nikki o beijou de novo.

Marissa não estava conseguindo manter os olhos abertos. Summer e Holly viram a amiga cambaleando.

Seth não conseguia falar. Ele tinha estragado o plano. Um amigo negativo.

Luke não conseguia esperar.

Summer saiu a procura de Luke. Holly deu um pouco de água para Marissa. Ela sabia que Summer não voltaria com ele.

Ryan olhou para Seth. Sua imagem de uma família estava se desfazendo.

Luke e Nikki estavam deitados, imóveis, mal se tocando.

Summer e Holly levaram Marissa para o carro, fecharam a porta e aceleraram.

Seth apontou para a colina. Eles estavam chegando.


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Ryan pensou que a caminhada não acabaria nunca. Não tinha percebido como Newport era grande. Eles tinham andado em silêncio. Ambos sem saber o que o outro estava pensando.
Entraram na casa da piscina e caíram no chão. Tontos, machucados e com hematomas. Ficaram em silêncio durante um bom tempo, e então Seth não conseguiu mais agüentar.
-- Não sei o que dizer. Exceto que essa noite foi inacreditável. Você me salvou, foi como se tivesse... saído diretamente do Clube da Luta – Seth sentou no chão e chutou o ar, fingindo que estava brigando. – Se você me ensinar alguns golpes, acho que podemos pega-los da próxima vez.
Pela primeira vez desde que tinha chegado em Newport, Ryan sorriu sinceramente. Seth era um cara legal. Talvez não o odiasse.
-- Não, não era bem assim que eu tinha planejado falar com a Summer pela primeira vez. Mas, agora estou no seu radar. Acha que eu deveria ter contado a ela sobre o Taiti? – Seth perguntou. Talvez a noite não tivesse sido tão ruim assim. Ele estava se sentindo à vontade ao lado de Ryan. Talvez fosse isso que acontecia com os amigos. Talvez a Operação Amigo Criminoso tivesse dado certo.
-- Ainda não – Ryan disse, rindo outra vez.
-- Foi o que pensei. Que noite! Não vou esquecer nunca. Foi tão... tão...
Ryan virou-se para olhar para Seth, mas ele já estava longe. Inconsciente e roncando. Ryan sorriu de novo. Essa noite tinha sido inesquecível. Ele estava agitado. Não conseguia dormir. Tudo o que tinha acontecido esse fim de semana ficava passando pela sua cabeça. Trey. Theresa. A.J. Sua mãe. Sandy. Marissa. Ele precisava sair, dar uma volta.
Quando saiu no gramado, Ryan descobriu uma varanda na lateral do quintal que dava para a entrada de carro da casa dos...


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...Cooper. Ele ficou lá, olhando para o oceano, vendo como brilhava sob a luz do luar. Era tranqüilo e sereno. Ouviu um carro aproximando-se. Olhou para baixo e viu uma Mercedes entrar na casa dos Cooper.
Summer e Holly desceram e deram a volta para tirar Marissa do carro. As garotas ainda estavam bêbadas enquanto tentavam carregar Marissa gentilmente até sua casa.
-- Como é que ela pôde fazer isso... – Summer resmungou quando tropeçou.
-- Juro por deus. Às vezes ela é tão retardada.
As meninas carregaram Marissa até a porta da frente e soltaram no chão.
Coop, cadê suas chaves? Como a gente vai achar as chaves dela? – Summer perguntou, enquanto revirava a bolsa de Marissa.
-- Se os pais dela nos virem aqui, matam a gente.
-- O namorado dela não deveria estar fazendo isso? – disse Holly. – Ele é tão desprezível. – Summer deu um passo para trás.
Holly queria dizer algo sobre Luke e sobre ele ter ido embora com Nikki, mas não disse. Não consigo achar as chaves.
-- Não podemos acordar os pais dela. O pai dela ficaria louco.
As duas ficaram em silêncio por um momento, pensando na decisão a tomar. Não podiam tocar a campainha. E não podiam levá-la com elas. Então, decidiram. Um conselho silencioso. Precisavam ir embora.
-- Tchau, Coop – despediu-se Summer.
-- Liga pra gente! – acrescentou Holly, enquanto corriam de volta para o carro e iam embora.
Lá de cima, Ryan viu Marissa caída no chão sozinha. Ele tinha visto a mãe assim inúmeras vezes. Não podia abandoná-la naquela noite fresca de verão.
Ele deu a volta na casa e foi até lá. Sacudiu-a, disse seu nome, mas não conseguiu acordá-la. Não podia deixá-la ali.


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Ele a pegou nos braços e a carregou até a casa da piscina. Ryan colocou Marissa em sua cama. Sua pele macia em contato com seu rosto. “Isso é sorte?”, ele pensou enquanto a cobria com o lençol e deitava em um colchão no chão, ao lado de Seth.
Ele a observou respirando suavemente – seu peito movendo-se para cima e para baixo, seus olhos trêmulos. E ele queria salvá-la do que quer que a tivesse deixado tão entorpecida, tão morta para o mundo. Da forma como sua mãe ficava. Seria o Luke?
Ele pensou em sua família. Imaginou o que eles pensariam se o vissem ali, com aquelas roupas, com aquela linda garota na cama. Será que aprovariam?

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