domingo, 15 de novembro de 2009

Capítulo 6

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Marissa estava na frente do espelho, de calcinha e sutiã, inspecionando seus quadris. Será que Ryan iria reparar como eram grandes? Ela não queria ir ao desfile. Ouvia sua mãe ajudando Kaitlin a se arrumar no quarto ao lado. Criticando. Incentivando a perfeição. Ela seria a próxima.
Julie bateu na porta.
-- Marissa, querida, você ainda não está vestida. Venha cá. Esse aqui. Julie estendeu para a filha o Donna Karan preto que ela tinha experimentado no dia anterior. Comum e perfeito. Marissa enfiou o vestido pela cabeça. – E seu cabelo? Você não vai fazer o alisamento?
-- Claro – ela respondeu, mas gostava do cabelo como estava, solto e ondulado. Marissa ligou a prancha de alisamento.
-- Pronto. Agora vou terminar de me arrumar. Te encontro lá embaixo em 15 minutos.
Marissa concordou. Mas não estava dando a mínima. Ela não ficava assim tão desanimada cm um evento da Liga Nacional Beneficente desde que seu peixinho Ziggy tinha morrido na manhã da regata anual de iates. Então, ela deu a ele um funeral apropriado com a descarga, mas a idéia de ir para o oceano, onde...


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...milhares de peixes nadavam livres e vivos, deixou-a indisposta. Seu pai permitiu que ficasse em casa e ela ficou assistindo desenhos com ele. Quando Marissa começou a alisar o cabelo, pensou em como era fácil a vida quando ela tinha 10 anos. Sem pressões. Sem garotos. Sem vaidade. E sem a monotonia de Newport. Seu cabelo já estava quase completamente liso quando seu celular tocou.
Marissa atendeu. Era Summer. Em pânico. Quase chorando.
-- Ai, meu Deus, está horrível. Coop, preciso de ajuda.
-- O.K. Calma. O que foi?
-- Meu vestido. Simplesmente não dava pra me mexer e agora o zíper arrebentou. Por que eu não comprei outro vestido na Neiman? Marissa, me ajuda.
-- Dá pra consertar?
-- Não. Meu costureiro foi para o Havaí hoje de manha e a madrastra-monstro é uma inútil. Coop, o que eu faço?
Mas Marissa não sabia o que fazer. Ela não sabia costurar.
-- Não se preocupe, vamos dar um jeito. – Marissa falou enquanto passava a prancha no cabelo mais uma vez. Estava perfeito. Perfeito demais. E ela odiava isso. A imagem no espelho era imaculada. Comum. Perfeita. E horrível. Ela puxou o cabelo e prendeu. Não conseguia parar de pensar no primo misterioso dos Cohen. Havia algo nele que a intrigava e a fazia acreditar que poderia fugir de Newport só de olhar para ele. Com ele, ela não precisava ir até a Neiman ou comprar um vestido Pucci.
-- Coop...? – Summer gritou de novo.
-- Não se preocupe. Eu tenho um vestido para você – Marissa disse ao puxar o Pucci do closet. – Comprei aquele vestido ontem. Não é mesmo meu estilo. Vai ficar lindo em você. Vou levar.
-- Coop, eu te amo. Você acaba de me salvar. – Summer disse enquanto abraçava o telefone.
Marissa deu uma última olhada para o vestido. Realmente, não era o estilo dela. Ela não precisava dele. Tinha Ryan. E ele...


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...seria sua válvula de escape, mesmo que ela no fizesse outra coisa alem de olhar para ele.
Na casa vizinha, Ryan estava na frente do espelho da casa da piscina tentando imaginar como dar um nó na gravata. Estava completamente perdido. Agora ele sabia porque Seth não queria ir a esse desfile. Ele estava meio desesperado por estar em um terno que provavelmente tinha custado mais do que todo o seu guarda-roupa. O único brilho de esperança que ele via era a imagem do sorriso de Marissa. Tinha algo no sorrido dela que fazia o coração dele disparar. Qualquer que fosse a sorte que aquele cigarro tivesse trazido, estava pronto para ela. Esse lugar estranho o deixava com o estômago embrulhado, mas o sorriso dela o acalmava. Agora, se pudesse simplesmente dar o nó na gravata, talvez conseguisse enfrentar a noite.
Ele estava tentando de novo quando Sandy entrou. Ryan tentou disfarçar sua inabilidade, mas Sandy percebeu.
-- Eu não soube dar nó em gravata até os 25 anos.
Ryan ficou envergonhado. Ele tinha sido pego. Largou a gravata. Sandy ficou atrás dele.
-- Bem, o importante é que o lado mais fico fique mais curto do que o lado mais largo – disse Sandy, enquanto arrumava a gravata em Ryan. – Então, damos uma volta por cima, veja...
Ryan observava enquanto Sandy dava o nó em sua gravata. Sentia-se desconfortável, mas de um jeito bom. Jamais um adulto se interessara tanto por ele. era uma sensação estranhamente agradável.
-- E voilà – Sandy continuou atrás de Ryan, observando sua obra no espelho. Ryan sorriu. Talvez fosse essa a sensação de ter um pai por perto.
-- Então, você passou um tempo com o Seth. Ele... como... foi... – Sandy começou e parou.
Ryan esperou, sem saber o que responder a Sandy. Ele gostava de Seth. Um pouco estranho, mas tinha gostado dele.


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-- Ele é um garoto interessante quando você o conhece. – Sandy completou.
-- Ele é legal. – Ryan falou com desdém, sem ter certeza do que Sandy estava esperando.
Sandy concordou com a cabeça, “Sério?”, mas Ryan apenas sorriu de volta. Sua imagem no espelho era impressionante. Talvez ele pudesse adequar-se a esse mundo. Se ao menos Theresa pudesse vê-lo agora... ou Marissa.

No andar de cima, Seth ainda não tinha nem tomado banho. Seu desempenho mediano na Operação Amigo Criminoso tinha-o deixado meio apavorado. Ele não queria nunca mais enfrentar situação alguma sem um bom plano.
Na frente dele estavam todas as tabelas e mapas para sua viagem ao Taiti. Agora ele percebia que iria precisar de muito mais do que uma boa rota. Precisaria de coisas para conversar, para se divertir, provisões... tudo o que havia faltado em seu passeio de barco de uma hora com Ryan. Mas, pelo menos agora, ele tinha tempo. Pelo menos um ano inteiro. Mas precisaria trabalhar duro. Sem distrações.
Sandy parou do lado de fora do quarto, bateu na porta. Uma distração. Seth rapidamente escondeu seus mapas na gaveta.
-- Oi, o que está fazendo?
-- Me arrumando. Trabalhando meu vocabulário – Seth falou depressa, para disfarçar.
-- Uh-huh. Bem, vamos logo. Você precisa tomar banho, se vestir...
Seth concordou e voltou-se para os papéis à sua frente. Sandy esperou por alguma resposta engraçadinha, e foi embora. “Sim, pai, mal posso esperar. Ficarei pronto em um piscar de olhos”, Seth murmurou para si mesmo. Por mais que ele quisesse ver Summer, não estava a fim de ir a um desfile de moda.


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Vinte minutos depois todos estavam prontos para sair. Seth e Ryan seguiram Kirsten até o carro. O ar estava mais frio com o pôr-do-sol. Ryan ficou arrepiado.
Marissa olhou pela janela e viu a família Cohen entrar no carro. Afinal, ela encontraria Ryan. Um sorriso enfeitou seu rosto enquanto ela colocava seu vestido Pucci em uma sacola para levar para Summer e descia as escadas.
-- Oh, Marissa. Você está tão... – Julie mediu Marissa. – Achei que você fosse usar o cabelo solto. Preso assim, fica um pouco duro. Nos ângulos do seu rosto.
Marissa forçou um sorriso.

-- Bem-vindo ao submundo – Seth disse a Ryan enquanto se dirigiam à recepção.
Duas portas gigantescas de vidro se abriram, revelando o pátio do Hotel St. Régis. Era mais requintado do que tudo o que Ryan já havia visto em sua vida. Tinha uma piscina com uma ponte. Vista para o mar. Centenas de moradores de Newport cobertos de prata e ouro. Garçons com canapés. Bebida à vontade. Um mostruário de riqueza saída diretamente das páginas de O Grande Gatsby.
Ryan observou tudo isso. Completamente admirado. Sentiu-se perdido e deslocado. Um garçom aproximou-se dele.
-- Meia-lua de cogumelos com alho poró? Canapé de siri com brie?
Esse poderia ser realmente o submundo, pensou enquanto observava aquela comida estranha na bandeja. Virou-se para procurar Seth em busca de consolo, mas viu-se sozinho.
Seth tinha ido atrás de alguma comida de verdade.
Ryan pegou uma daquelas coisas da bandeja do garçom e andou até a ponte de mármore. Enquanto observava a luz do sol se pondo sobre o oceano, tinha dado apenas alguns passos quando uma bela mulher mais velha se aproximou dele.


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-- Então você é o primo de Boston, hum? Eu não conseguiria morar lá, detesto frio... – Ryan concordou, sem muita certeza do que dizer. Mas ela não estava muito preocupada. Deu um beijo em seu rosto e seguiu seu caminho, deixando-o sozinho novamente, naquele mundo estranho.
Ryan continuou caminhando, mas parecia que as noticias corriam rápido em Newport. Enquanto tentava mover-se pela recepção, era parado o tempo todo e bombardeado por perguntas diversas. Parecia que cada um tinha ouvido uma história diferente. Ryan era lançado de uma pessoa para outra, sem que nenhuma realmente soubesse quem ele era. Todos curiosos. Seria do Canadá? De Seattle? De Boston?
Durante seu percurso, Marissa viu Ryan tentando escapar das pessoas. Ela sorriu, mas virou-se para o outro lado quando ele olhou na direção dela.
“Eu preciso de você”, ele pensou, “preciso da sua sorte para me salvar”.
Mas Marissa continuava de costas. Ele foi até o bar e pediu uma bebida, mas assim que pegou o copo, Kirsten apareceu. Seu olhar era de reprovação. Ela tirou a bebida das mãos dele e disse em voz baixa: – Eu quero que meu marido esteja certo a seu respeito. Ryan ficou um pouco surpreso com o comentário, mas entendeu. E ele queria provar para ela que Sandy estava certo. Que ele era um bom garoto, um garoto inteligente e com futuro. Agora, tudo o que ele precisava fazer era acreditar nisso também. Ryan estava prestes a responder educadamente a Kirsten quando a Sra. Milano se aproximou.
-- Olá, Kirsten. Gostaria de saber se posso roubar seu sobrinho por um momento. Tem alguém que eu gostaria que ele conhecesse.
A Sra. Milano pegou Ryan pelo braço e levou-o diretamente para Marissa. A beleza dela deixou-o atordoado, pela segunda vez. Ele apertou os dedos dentro do sapato, lutando com a emoção.


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-- Marissa, querida. Quero que conheça alguém. Este é Ryan.
Marissa virou e deu uma olhada em Ryan de cima a baixo. “ Ele está melhor hoje do que ontem. Ainda mais intrigante”, ela pensou.
-- Oi, Ryan. Muito bom encontrar você. – Ela não queria que ele percebesse seu interesse.
Mas Ryan percebeu. Ela queria jogar. – Bom encontrar você, também...
Fez-se silencio entre eles. Um silencio constrangedor.
Ryan olhou ao redor, para o absurdo que era a sociedade de Newport. Mulheres com rostos cobertos por maquilagem, tão esticados e duros. Homens de pele bronzeada e Rolex. Garotas fingindo ser as melhores amigas umas das outras.
-- Então, o que está achando de Newport? – Marissa perguntou, enquanto um grupo de mulheres da sociedade de Newport passava por eles.
Ryan queria responder. Dizer-lhe que se sentia perdido, deslocado. Que quando ela estava por perto sentia-se com sorte. Como se as coisas fossem dar certo. Mas o pai de Marissa os interrompeu e ela foi levada antes de ele ter a chance de responder.
Ryan a observou enquanto se afastava. Tão graciosa e elegante, perfeita e à vontade. Tudo isso parecia simples para ela e ele admirava isso. Se tivesse crescido ali, não tinha certeza de como agiria naquele tipo de situação. O dinheiro. A presença de adultos. Os adolescentes agindo como adultos. Era tudo muito novo para ele.
Seth apareceu atrás de Ryan e entregou-lhe um copo de água. Enquanto observavam, Luke chegou ao lado deles e pegou uma bebida no bar. “Esta é minha chance”, Seth pensou, decidindo tentar conversar com Luke. Um novo ano escolar estava começando, eles estavam mais velhos, mais maduros... talvez as coisas tivessem mudado.
-- E aí, Luke. – ele disse, timidamente.
Luke deu um gole em sua bebida e passou por Seth. – Vai se danar, seu bichinha.


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“Acho que algumas coisas não mudam nunca.” Seth encolhe-se constrangido. Mas Ryan deu um passo a frente. Olhou nos olhos de Luke e o encarou. Entendendo perfeitamente situação de Seth nesse momento. E não gostou.
-- Minhas férias foram ótimas também, Luke. Obrigado por perguntar. – Seth disse, tentando fingir que não se incomodava. Ryan apenas acenou com a cabeça, procurando evitar que Seth se sentisse ainda mais desconfortável do que já estava.
Quando Ryan se virou para Seth, seus olhos estavam arregalados. “O que foi agora?”, Ryan pensou.
Summer. Ali. Olha. Não, não olha. Quer dizer, olha. Mas não olha como se estivesse olhando.
Ryan olhou para o outro lado da piscina e viu Summer ao lado de Marissa. Ela era não deslumbrante quanto Marissa, mas não tão sofisticada.
Do outro lado, Summer estava olhando para Ryan.
-- Quem é aquele? – ela perguntou.
-- O primo. O limpador de piscina. Não sei. – Marissa respondeu, tentando entender quem ele realmente era. Ela gostava desse mistério, “mas por que tinha de estar encoberto pelo Cohen?”, ela pensou quando viu Seth encolhido ao lado dele.
-- Bom, eu vou descobrir... – Summer sussurrou, com a voz sexy.
Do lado de cá da piscina, Sandy chegou perto dos meninos e percebeu que estavam olhando fixamente para o outro lado.
-- Aquela é a Summer? – Sandy perguntou, apontando diretamente para ela. Summer virou-se.
Seth ficou apavorado e foi para dentro procurar um lugar para se sentar.
-- Estragou o lance dele, Sr. Cohen – disse Ryan, antes de ir atrás de Seth.
Dentro do hotel, o salão estava lotado. Jovens e seus pais em todos os lugares. Um zoológico de alta costura e champanhe.


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Ryan foi seguindo no meio daquele monte de gente até alcançar Seth.
-- Ei – disse Ryan. – Onde nos sentamos?
Seth não respondeu.
Não havia mais lugares vagos. Luke e sua turma estavam com sua própria mesa e a mesa de Sandy e Kirsten também estava cheia. Todos pareciam estar guardando lugares para seus amigos. Ryan sentia-se deslocado e Seth constrangido por não ter planejado melhor como resolver isso. Então, ele viu dois lugares vagos ao lado de Chester, seu aluno de vela. “Não vai ser tão ruim”, ele pensou. “Chester não vai se importar”; Seth tinha certeza de que ele o admirava. Afinal, ele era seu professor e era mais velho.
-- Oi, Chester. Este lugar está vazio? – Seth perguntou ao sentar-se na cadeira ao lado de seu aluno. Mas Chester não respondeu. – Ótimo. E então, está ansioso pelas próximas aulas de vela? Você tem feito grandes progressos. – Novamente, Chester não disse nada, seu rosto estava imóvel. – O.K. Chester. Fico contente de termos tido essa chance de conversar.
Ryan sentou-se ao lado de Seth. Um pouco desconfortável com a situação. Aquela mesa era do garoto. Ryan e Seth pareciam completamente deslocados. As crianças olhavam para os dois adolescentes enquanto tentavam ocupar seus lugares.
Seth estava se sentindo um completo fracasso e pensou que qualquer chance que ele pudesse ter tido de tornar-se amigo de Ryan até ali tinha acabado. Ninguém iria querer sentar na mesa das crianças. E ninguém iria querer ser amigo de alguém que...
Mas Seth teve seus pensamentos interrompidos pelos aplausos. Marissa tinha subido ao palco e a atenção de todos se voltara para ela. A platéia se acalmou.
-- Muito obrigada a todos por terem vindo. Todos os anos organizamos um desfile de moda para arrecadar fundos para o abrigo de mulheres vitimas de violência. Não poderíamos fazer isso sem o apoio de vocês e do Fashion Island... – Marissa continuou...


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... a falar e a platéia a ouvir. Mais uma vez Ryan estava arrebatado. Não conseguia tirar os olhos dela. – Aproveitem o desfile.
Quando Marissa se virou para voltar aos bastidores, viu de relance, que Ryan estava olhando para ela. Ela sorriu, e o sorriso foi aumentando à medida que foi indo para trás das cortinas, onde Summer estava aguardando em seu vestido Pucci. Ficava fantástico nela. “Vá mostrar ao mundo sua beleza. Agora eu tenho o Ryan”, pensou. Bateu um high-five* com Summer e ela entrou no palco.
A música estava a toda e o publico estava animado.
A personalidade de Summer tomou conta da passarela – animada, divertida e extrovertida. Ela era a dona do salão. Todos a adoravam, inclusive Seth. Ele não conseguia tirar os olhos dela. Summer estava maravilhosa em seu vestido de cores brilhantes e estampa psicodélica.
-- Ela tem tudo a ver com o Taiti... – disse Seth, atordoado, ao observar seu andar pela passarela. “Em apenas alguns meses”, ele pensou, “vai chegar o momento de falar com ela, de aparecer no seu radar”. O plano Summer estava seguindo seu caminho adequadamente, tal como ele havia planejado.
Os bastidores estavam parecendo um desfile da Victoria’s Secret. Garotas correndo para todo lado, trocando de roupa freneticamente, fazendo maquiagem e alisando os cabelos. Garotas magérrimas com sutiãs push-up. Um desfile de vaidades e vestidos de estilistas famosos.
No banheiro, Marissa tinha acabado de passar gloss nos lábios quando Summer entrou. – Olha só o que eu roubei... – ela gargalhava, enquanto segurava duas taças de champanhe.
Mas Marissa tinha algo melhor. Abriu a bolsa e ofereceu-lhe uma garrafa de vodka. – Olha o que eu roubei!
As duas riam enquanto tomavam o champanhe. “Até que a noite está sendo boa”, Marissa pensou. Ryan estava lá, o ...

*Cumprimento onde batem-se as mãos espalmadas.


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... desfile estava sendo um sucesso e Summer tinha ficado ótima no vestido Pucci.

Todos aplaudiram quando Marissa entrou no palco. A platéia era ainda mais respectiva a Marissa do que a Summer. Ela tinha tanto charme e uma graça inata. Todos a amavam. Ryan não conseguia tirar os olhos dela. Marissa percebeu e, quando seus olhares se cruzaram, pareceu que o tempo tinha parado.
“Essa garota realmente tem sorte”, ele pensou. Sorte de estar ali, com o mundo a sua disposição. Ryan se perguntava se um pouco dessa sorte respingaria nele. O que essa garota tinha?
Mas sua fantasia acabou quando Luke e sua turma ficaram em pé e começaram a gritar. Suas vozes ásperas e seus assobios tomaram conta do salão como uma torcida de futebol americano gritando pelo touchdonw. Ryan estava um pouco espantado. Para jovens com tanto dinheiro eles tinham pouca classe. Luke reparou que Ryan estava olhando para Marissa e o encarou. Ryan sustentou o olhar. Dois garanhões se medindo.
Ryan levantou-se; não podia continuar sentado por mais tempo. As coisas ali dentro eram perfeitas demais e ele precisava respirar um pouco de realidade. Uma válvula de escape. Marissa tinha percebido tudo. Os olhares entre Ryan e Luke, mas acima de tudo, havia percebido como seu pai parecia desconfortável.
Na mesa repleta de adultos, Marissa viu seu pai encolhido na cadeira. Desconfortável e irritado. Gostaria de saber o que estava errado. Será que ele tinha reparado que Summer estava com seu vestido? Teria ficado bravo? Agora, ela estava se sentindo mal, mas sempre tinha emprestado roupas para Summer. Seria alguma outra coisa? Marissa pensou nos dois caras que tinham aparecido novamente naquela tarde. E imaginou o que poderia estar acontecendo com seu pai.


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No banheiro, Ryan estava começando a secar as mãos quando Jimmy entrou e se fechou em um reservado, batendo a porta.
Ryan ficou quieto quando começou a ouvir o choro do outro lado da porta. Depois os soluços. Esse cara crescido estava chorando de verdade? Ryan nunca tinha ouvido um pai chorar antes, nem mesmo o seu, e ele estava na prisão. “Talvez a vida por aqui não seja tão perfeita”, pensou Ryan. Talvez essas pessoas tivessem os mesmos problemas que todas as outras tem. Talvez estivesse simplesmente triste ou também se sentisse deslocado. O que quer que fosse, Ryan sabia que não havia nada que pudesse fazer. Sentiu-se impotente e com vontade de entrar para ajuda-lo, mas não podia. Não estava em sua casa. Ryan deixou Jimmy sozinho e voltou para sua mesa.
Quando voltou, o desfile acabara de terminar e todos estavam indo embora. Ryan olhou para Seth e o seguiu rumo a porta principal. Summer o interceptou.
-- Ei, aonde você vai? – ela disse enquanto pegava o braço dele gentilmente. Ryan ficou mudo. – Minha amiga Holly... bem, os pais dela nos deixaram usar a casa da praia, como presente. Você sabe, pelo nosso trabalho duro pela caridade... – Summer sorriu para Ryan com ar de flerte. – Se precisar de uma carona, ou de qualquer outra coisa... meu nome é Summer. E ela andou até um carro cheio de garotas dando risada.
Ryan estava atônito. Uma casa de praia? Esse era realmente um mundo completamente diferente de Chino. Mas ele estava curioso. Marissa provavelmente estaria lá. Seth voltou para chamá-lo.
-- Deveríamos ir nessa festa. Na casa da Holly... – Ryan disse, esperando que Seth quisesse ir.
-- Uh-huh. Não. Não é pra gente – respondeu Seth rapidamente. Ele não conseguiria agüentar mais humilhações na frente de Ryan e sabia que não fazia parte daquela festa.
Ryan pensou por um momento. Qual seria a melhor forma de lidar com isso? – A Summer acabou de me convidar.


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-- É? Ela convidou... você? – Seth perguntou. Arrasado. Isso era ainda pior. O amor de sua vida estava interessado em Ryan.
“Péssimo jeito de lidar com isso”, pensou Ryan. – Nós. Ela convidou você especificamente, ele corrigiu.
-- Mesmo? Ela convidou? Isso não faz sentido, mas... –E Seth concordou em ir quando olhou e viu Summer pular para dentro de um Range Rover conversível. Ele não conseguia resistir a ela.
As meninas gritaram, chamando os garotos para entrar no carro. E Seth chegou em um instante.
Ryan o seguiu de perto e, assim que fechou a porta, pegou Marissa olhando para ele enquanto subia no Yukon de Luke. Luke percebeu. Mas dessa vez ele não estava acreditando muito em toda essa história de “parente do vizinho”.
-- Quem é esse? – Luke perguntou.
-- Como é que eu vou saber? – respondeu Marissa.
-- Porque você não para de olhar pra ele.
-- Não estou olhando. Além do mais, eu estou com você – disse Marissa enquanto se curvava e dava um beijo no rosto de Luke.
-- Continue assim que eu te perdôo – Luke respondeu ao acelerar o carro. Marissa beijou mais uma vez, mas continuou com os olhos abertos, observando Ryan desaparecer no horizonte.
No outro carro, Ryan encolhia os ombros e olhava para Seth, que estava sorrindo de orelha a orelha. No final das contas, Newport não era tão ruim assim.

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