O TEMPO PASSA
Mariuccia Cavallari Fiorenza
Aí acontece que o tempo vai passando, e as coisas mudam. Talvez porque você queira, ou talvez você nem perceba. Você e seus amigos vão se distanciando cada vez mais. Aquele amigo muda de casa, mas ainda é seu colega, você ainda pode ver ele na escola. Então sua mãe tem a genial idéia de mudar você de colégio. É o fim.
Você se sente perdida, e tem que ir pra escola sozinha. Não conhece ninguém e nem faz questão, você quer estar perto dos seus amigos de novo.
De repente se aproxima uma garota e vocês começam a conversar, e então num piscar de olhos você muda de opinião e começa a passar pela sua cabeça que não será tão ruim assim conhecer novas pessoas. O tempo passa e você já está com uma nova turma, novos amigos e aqueles outros ainda fazem falta, mas você não os procura e nem eles o fazem.
Então um belo dia você está passeando e cruza alguém muito parecida com aquela melhor amiga, você a reconhece e talvez ela também tenha lhe reconhecido mas vocês passam uma pela outra sem dizer nada. Vocês deixaram a oportunidade de retomar a amizade passar. E você não consegue parar de pensar por que as coisas mudam, por que você agiu assim.
E pensa o por que dela também ter tido a mesma atitude. Então você decide que da próxima vez que encontrar na rua um velho amigo, não deixará cruzar como despercebido, pois só você é dona daqueles pensamentos de infância, das brincadeiras, das palhaçadas, das aventuras que faziam juntos. Só você sabe o quanto cada um faz falta no seu coração. E espera que nunca seja tarde demais.
domingo, 18 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
PEDAÇOS DE MIM - Martha Medeiros
Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir, para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir, para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
POR QUÊ AS PESSOAS GRITAM?
Mahatma Gandhi
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
-Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
-Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?
Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas. Por fim, o pensador conclui, dizendo:
"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".
Mahatma Gandhi
Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:
-Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
-Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
- Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu:
- Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?
Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas. Por fim, o pensador conclui, dizendo:
"Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".
Não me pergunte...
MAURO BIAZI
Não me pergunte o que fazer da vida se você não sabe do que é feita a sua, de que sonhos ela se nutre, dos amores que ela deseja, de que aromas ela sente tanta falta, de que cores colorem seus dias, de que estação ela mais gosta, de que flores seu coração suspira, de que manhãs emolduradas por raios de sol ela tanto ama...
Não me pergunte o que dar à sua vida se você nada sabe de repartir amor, nada sabe de espreitar a noite ansiosamente transformadora, nada sabe de abrir os braços para um estranho, de assoviar uma melodia que faz dançar um beija-flor, de sentir o gosto adocicado de um beijo que rodopia os sentidos, de saltar pro dia anunciando boas novas...
Não me pergunte o que esperar da vida se você nada espera da sua, nada deseja que não seja o óbvio, nada sente quando a brisa do outono acaricia seu corpo, nada vê no balé da andorinha que veio desfrutar o seu verão, nada sabe de se dar, de doar, de repartir uma fatia do seu existir...
Não me pergunte o que é a vida, do que ela é feita, de que centelha mágica foi esculpida, qual o seu propósito, qual a razão de você respirar e andar daqui pra lá, o porquê de seres que és, de teres o que tens, de agires numa penumbra de ausência, sentimentos que dá pena, que dá dó, que causa arrepio na alma de quem ama...
Me pergunte, por fim, naquilo que você pode se transformar se abrir mão do orgulho, da indiferença, da mesquinhez, do desprezo... e então eu saberei, sem pretensão, aconselhar seu coração a ouvir o vento humano que assopra dia e noite trazendo um cheiro de amor no ar, uma lufada de esperança, uma brisa doce e envolvente a anunciar que a humanidade tem salvação... e você também.
MAURO BIAZI
Não me pergunte o que fazer da vida se você não sabe do que é feita a sua, de que sonhos ela se nutre, dos amores que ela deseja, de que aromas ela sente tanta falta, de que cores colorem seus dias, de que estação ela mais gosta, de que flores seu coração suspira, de que manhãs emolduradas por raios de sol ela tanto ama...
Não me pergunte o que dar à sua vida se você nada sabe de repartir amor, nada sabe de espreitar a noite ansiosamente transformadora, nada sabe de abrir os braços para um estranho, de assoviar uma melodia que faz dançar um beija-flor, de sentir o gosto adocicado de um beijo que rodopia os sentidos, de saltar pro dia anunciando boas novas...
Não me pergunte o que esperar da vida se você nada espera da sua, nada deseja que não seja o óbvio, nada sente quando a brisa do outono acaricia seu corpo, nada vê no balé da andorinha que veio desfrutar o seu verão, nada sabe de se dar, de doar, de repartir uma fatia do seu existir...
Não me pergunte o que é a vida, do que ela é feita, de que centelha mágica foi esculpida, qual o seu propósito, qual a razão de você respirar e andar daqui pra lá, o porquê de seres que és, de teres o que tens, de agires numa penumbra de ausência, sentimentos que dá pena, que dá dó, que causa arrepio na alma de quem ama...
Me pergunte, por fim, naquilo que você pode se transformar se abrir mão do orgulho, da indiferença, da mesquinhez, do desprezo... e então eu saberei, sem pretensão, aconselhar seu coração a ouvir o vento humano que assopra dia e noite trazendo um cheiro de amor no ar, uma lufada de esperança, uma brisa doce e envolvente a anunciar que a humanidade tem salvação... e você também.
After a while - Veronica Shoffstall
After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn't mean leaning
and company doesn't always mean
security.
And you begin to learn
that kisses aren't contracts
and presents aren't promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes
ahead
with the grace of woman, not the grief of
a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow's ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really
Can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn.
TRADUÇÃO
Depois de um tempo - Veronica Shoffstall
Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença
entre segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer
segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos
adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de
uma criança
e você aprende
a construir todas suas estradas no hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe
traga flores
E você aprende que você realmente
pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende.
After a while you learn
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn't mean leaning
and company doesn't always mean
security.
And you begin to learn
that kisses aren't contracts
and presents aren't promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes
ahead
with the grace of woman, not the grief of
a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow's ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really
Can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn.
TRADUÇÃO
Depois de um tempo - Veronica Shoffstall
Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença
entre segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer
segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos
adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de
uma criança
e você aprende
a construir todas suas estradas no hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe
traga flores
E você aprende que você realmente
pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende.
domingo, 4 de outubro de 2009
The O.C - PERSONAGENS 1ª TEMPORADA

Ryan Atwood – Benjamin McKenzie
Filho de família problemática e pobre, é abandonado no primeiro episodio, é adotado pela família Cohen. Vive tentando ajudar os outros, tirando-os de algum problemas... demora para se adaptar a vida rica de Newport, mas acaba aceitando e fazendo amigos. Namora com Marissa, mas os dois cheios de problemas e duvidas, vivem um namoro conturbado.

Marissa Cooper – Mischa Barton
De uma família complicada, tem problemas de relacionamento com a mãe, namora com Luke, mas ele a trai, e ela fica com Ryan. Vive se metendo com pessoas erradas e situações idem. Tem uma overdose, furta um relógio e um batom, tenta ajudar Oliver.
Filho de família problemática e pobre, é abandonado no primeiro episodio, é adotado pela família Cohen. Vive tentando ajudar os outros, tirando-os de algum problemas... demora para se adaptar a vida rica de Newport, mas acaba aceitando e fazendo amigos. Namora com Marissa, mas os dois cheios de problemas e duvidas, vivem um namoro conturbado.

Marissa Cooper – Mischa Barton
De uma família complicada, tem problemas de relacionamento com a mãe, namora com Luke, mas ele a trai, e ela fica com Ryan. Vive se metendo com pessoas erradas e situações idem. Tem uma overdose, furta um relógio e um batom, tenta ajudar Oliver.

Theresa Diaz - Navi Rawat
Mora em Chino. Amiga de infância de Ryan, se reencontram no dia de Ação de Graças, porque Ryan vai até Chino para pagar dívida do irmão. Vai trabalhar em Newport, encontra Ryan e os dois transam, ele já não está mais com Marissa. Vai embora, mas volta, e diz que está grávida, e que pode ser de Ryan.

Luke Ward - Chris Carmack
Namorado de Marissa, fica com uma das amigas dela. Eles terminam o namoro, não gosta de Ryan, mas depois de os dois descobrirem que seu pai é gay, viram amigos. Ele sofre preconceito por isso na escola que estudam, Harbor. Mas Ryan, Marissa e Seth o ajudam. Tem um caso com Julie, a mãe da ex-namorada. Decide ir embora.

Oliver Trask – Taylor Handley
Um adolescente mentalmente instável. Marissa o conhece na terapia, inventa uma namorada, tenta comprar cocaína de um policial, mas é pego.E quase comete suicídio quando Marissa vai visita-lo.

Seth Cohen - Adam Brody
Filho único de Sandy e Kirsten Cohen, é praticamente um Zé ninguém na escola, é apaixonado por Summer, que nunca o notou, mas depois que Ryan aparece as coisas mudam. Ele não é mais “invisível”, namora com Anna e depois com Summer. Adora quadrinhos e é um fofo.

Summer Roberts - Rachel Bilson
Uma espécie de socialite teen, namora com Seth e é a melhor amiga de Marissa. Filha de pais separados, é sempre mimada pelo pai. Demora para ficar com Seth pois acha que isso não seria bom para sua reputação. Seth colocou o nome do barco dele “Summer Breeze”.

Anna Stern - Samaire Armstrong
Muito doce, conhece Seth por quem se apaixona. Da dicas sobre como conquistar as mulheres, namora com ele. Mas os dois descobrem que são melhores como amigos, pois gostam das mesmas coisas. Volta embora para Petersburg.

Caleb Nichol – Alan Dale
Pai de Kirsten, é um empresário muito bem sucedido, dono do Grupo Newport, dono de praticamente toda Orange County. Tem muitas namoradas, mas acaba pedindo Julie em casamento.

Julie Cooper-Nichol – Melinda Clarke
Mãe de Marissa e Kaitlin. Divorciou-se do marido Jimmy, porque este roubou dinheiro para quem trabalhava deixando-as sem nada. Teve um caso com Luke, casou-se com Caleb Nichol.

James “Jimmy” Cooper – Tate Donovan
Pai de Marissa e Kaitlin, casado com Julie. Namorou na adolescência com Kirsten Cohen. Consultor financeiro, rouba de seus clientes. Tendo que pagar, perde tudo. Mas Sandy e Kirsten tentam ajuda-lo. Se divorcia de Julie e vai embora, sua filha Marissa mora com ele. Namora com Hailey Nichol.
Também filha de Caleb Nichol, sai de casa aos 17 anos e viaja pelo mundo as custas do pai. Após uma briga com Kirsten, vai embora. Diz que esta trabalhando como instrutora de aeróbica, mas Ryan, Marissa, Seth e Summer descobrem que ela está trabalhando como stripper em uma boate de Los Angeles. Volta para Newport e começa a namorar com Jimmy.
sábado, 3 de outubro de 2009
Capítulo 5
Página 56
Haviam se passado oito horas e Seth continuava sem ter um plano. O sol da Califórnia ergueu-se sobre o Oceano Pacífico e cobriu a casa dos Cohen. Ele espiou pela janela. Nenhum sinal de movimento perto da casa da piscina.
-- Muito bem, Capitão Aveia, chegou o dia. Você está pronto? Silencio. – Foi o que pensei. Ótimo, você fica aqui. Eu vou enfrentar o meu destino.
Seth vestiu uma camiseta e desceu as escadas. Na cozinha, encontrou um bilhete. Sua mãe tinha ido ao escritório e seu pai estava fazendo compras no mercado. “Ótimo”, Seth pensou enquanto lia a última linha: mostre a casa para Ryan e certifique-se de que ele tome café da manhã. “Quando foi que me tornei o guia turístico da casa dos Cohen?”
Seth deixou o bilhete no balcão resmungando. Então, pegou uma rosquinha e sentou-se à mesa da cozinha. Encontrou o Caderno de Artes e Lazer na pilha de jornais e começou a ler. Seu ritual de todas as manhãs. Mas esse era um sábado diferente. Ele não conseguia se concentrar. Não com Ryan, lá fora, dormindo na casa da piscina. A agitação e o nervosismo da noite passada...
Página 57
...voltaram. A Operação Amigo Criminoso estava começando a parecer a pior idéia de todos os tempos.
Como ele iria falar com Ryan? Ele não tinha o Capitão Aveia e não era Kavalier. Por que seus pais o tinham deixado sozinho? Quando voltassem, precisava conversar com eles. Esse era um comportamento inaceitável. Eles deveriam estar ajudando e não ao contrário.
Seth jogou o caderno de Artes e Lazer na mesa e pegou seu café da manhã. Não conseguia continuar sentado em silencio, simplesmente esperando que o criminoso acordasse e entrasse para comê-lo vivo. Ele precisava fazer alguma coisa. Precisava distrair-se. Então foi para a outra sala e começou a jogar seu jogo de vídeo-game favorito. Seth estava contente, pelo menos por enquanto.
Do lado de fora, Ryan acordou surpreso. Desorientado. Por um momento, encolheu-se entre os lençóis, esperando pelo tapa de A.J. ou pelos gritos de sua mãe mandando que ligasse para o serviço para dizer que ela estava doente, mas tudo estava tranqüilo. Só o cantar de uma gaivota e o som do oceano. Ryan olhou ao redor e se lembrou de onde estava. Seria um sonho? Ele se beliscou para saber se era verdade. E sentiu a dor. Não era um sonho.
Lentamente, Ryan colocou sua calça jeans enquanto olhava em volta. A casa da piscina era quase do tamanho da sua casa toda em Chino. Ele não conseguia acreditar que tinha dormido ali. Então, se lembrou de Marissa, a garota da casa vizinha, e de ter andado no carro de Sandy Cohen e, por um momento, ficou atordoado. Raspou os dedos no piso. Um reflexo.
Saiu de lá e descobriu que a casa era ainda mais espetacular do que pensava. A piscina enorme, o gramado perfeito, a vista para o oceano. Esse era o verdadeiro paraíso. Demais para Ryan suportar de estômago vazio. Ele foi andando até a porta dos fundos imaginando que encontraria algo para comer.
Quando abriu a porta, viu-se frente a frente com Seth. Não exatamente, mas foi como ele se sentiu. Eram os únicos na casa.
Página 58
Ele ficou um pouco surpreso, mas se lembrou de Sandy ter mencionado o filho. Devia ser ele. Mas Ryan não soube o que dizer além de “oi”.
-- Oi.
“É isso. É exatamente isso”, Seth pensou. O.K. finja que está tudo normal. Apenas o ignore por um momento. Seth virou-se para a TV de plasma e continuou jogando.
Ryan ficou parado, aguardando constrangido. Ele podia entrar?
Seth se lembrou do bilhete da mãe. “seja legal”, ele pensou. O.K.!
-- É o novo Play Station – Seth falou com a melhor das intenções. Ryan deu um passo à frente.
-- Eu sei.
Talvez Ryan soubesse mais do que Seth imaginava. Agora ele estava se sentindo mal. Será que o tinha ofendido? Precisava fazer alguma coisa para consertar seu erro.
-- Quer jogar? – perguntou com a voz fraca.
Ryan hesitou um pouco. – Claro.
Ryan sentou-se no chão, ao lado de Seth, e pegou um controle extra. Eles começaram a jogar e, quando Ryan estava para destruir o ninja de Seth, Seth fez uma pausa no jogo. Lembrou-se do bilhete de sua mãe. Ryan devia estar morrendo de fome.
Ryan pareceu confuso. O que ele tinha feito?
-- Você não quer comer alguma coisa?
Então Ryan entendeu. Fez que sim com a cabeça. Seth levantou-se e foi para a cozinha. Abriu o armário e começou a listar todos os cereais conhecidos pela humanidade. Ryan estava atônito. Na casa dele era sorte ter uma caixa. Ryan disse a Seth que comeria o mesmo que ele fosse comer. Não queria deixar as coisas mais difíceis e complicadas.
Seth voltou com o cereal e voltaram a jogar. Os dois foram entrando no jogo e começaram a aproximar-se enquanto continuavam lutando na tela. “Não é tão ruim”, pensou Seth.
Página 59
Talvez Ryan não fosse um criminoso durão. Talvez fosse mais parecido com Dean, o garoto com passagem pela prisão aguardando sua chance.
Os garotos continuavam a rir e a jogar. Sandy chegou em casa do mercado e parou, imóvel, a caminho da porta. O som não era familiar. As risadas dos garotos. Ele não conseguia acreditar, mas estava emocionado. Parou por um momento e observou os garotos jogando.
-- Vai logo! Eles vão nos matar! – Seth exclamou.
-- Que tal eu te dar cobertura? – Ryan perguntou.
E Seth foi em frente. Ambos apertaram os botões com fúria, mas sem resultado. Jogaram os controles para cima. Tinham perdido. Era hora de começar um novo jogo.
Seth ficou nervoso por um momento. Precisava escolher o jogo sabiamente. Não queria parecer um babaca. Ele pensou em todos os jogos que tinha e teve a idéia perfeita. Esse jogo era legal.
-- Quer jogar Grand Theft Auto? Ryan ficou olhando para ele. – É muito bom. Você pode roubar carros... – então, Seth percebeu. Ele tinha mesmo dito aquilo para Ryan, o criminoso? O garoto que estava ali porque tinha roubado um carro? Agora ele estava ferrado. Tinha estragado tudo. As coisas estavam indo tão bem. Tentou melhorar a situação. – Não que seja legal. Ou ruim. Mas...
Sandy viu seu filho gaguejando e fazendo o que os Cohen faziam: tentando escapar pela tangente e conseguindo apenas cavar um buraco ainda maior. Entrou para salva-lo.
-- Vejo que se conheceram. – Os garotos concordaram com a cabeça. – O que estão fazendo sentados aqui dentro? Está um dia lindo. Seth, por que você não vai dar uma volta com Ryan?
“Ótimo”, pensou Seth. Agora ele podia levar Ryan para dar uma volta e apresentá-lo a todos os amigos que ele não tinha. Ou, melhor ainda, podia mostrar todos os grupos diferentes de adolescentes – os surfistas/chapados e os jogadores de pólo aquático – e mostrar como ele se entrosava super bem.
Página 60
-- Claro, pai, aqui é tão legal... Tem tanta coisa pra fazer... – Seth estava se sentindo triste em Newport e não tinha vontade de sair, mas então percebeu que Ryan estava olhando para ele. Ele precisava de uma resposta melhor. – A menos que... o que você quer fazer?
Então, Ryan, sem ter muita certeza de que ele quisesse saber a resposta mas bastante curioso, perguntou:
-- O que vocês costumam fazer por aqui?
Seth mostrou a casa para Ryan e depois andaram até a praia. Lá abaixo da casa dos Cohen e de Marissa, Seth aprontou seu veleiro. Ryan tentou ajudar mas só estava atrapalhando. Não sabia nada sobre barcos.
O único barco que já tinha visto de perto era o barquinho de brinquedo com que ele brincava na banheira quando era criança, e essa era uma lembrança antiga. Tudo nesta praia o surpreendia. Ele nunca tinha vivido em lugar onde se pudesse caminhar até a praia e ter seu próprio barco. A coisa mais legal de que tinha se aproximado a pé ao sair de sua casa tinha sido o Slip and Slide* que a mãe de Theresa trouxera um dia para casa quando eles eram crianças. Ela o encontrara em um bazar na casa de Irvine, quando estava voltando do trabalho. Esse também tinha sido o mais perto que Ryan já tinha chegado de tanta água.
-- Pronto? – Seth perguntou enquanto colocava lentamente o barco na água.
Ryan olhou a vastidão do oceano à sua frente. Ele não conseguia acreditar que ia fazer isso. – Lógico – disse, enquanto ajudava Seth a empurrar o barco para a água.
*brinquedo feito em material semelhante ao de piscinas plásticas que tem a forma de duas pistas de corrida. Ligado a uma mangueira, solta água pela parte central e as crianças podem escorregar.
Página 61
Seth subiu na parte de trás do barco, arrumando o leme, para garantir que pegariam o vento certo. Ryan podia perceber que isso era algo que Seth fazia com freqüência. Ele estava impressionado. A maioria dos adolescentes que conhecia só sabia matar aula e se esconder da policia, ou, como seu irmão, roubar carros. Ele nunca tinha conhecido alguém dessa idade que fosse apaixonado por alguma coisa, mas dava pra ver que Seth realmente gostava daquilo.
-- Faz tempo que você faz isso?
-- Meu avô me ensinou quando eu tinha seis anos. Ele veleja muito. Tem um iate também. De vez em quando eu piloto. Mas não é sempre.
Ryan concordou com a cabeça. Então...
-- Mude a direção! – Ryan olhou para ele. “O quê?” – Vire! – E, de repente, Ryan viu a vela balançando acima de sua cabeça. Ele entendeu.
-- Virando!
Ryan abaixou e passou para o outro lado do barco. Não era tão divertido assim. Ele estava assustado. Seth percebeu seu desconforto.
-- Relaxa! Na pior das hipóteses você cai na água.
Mas isso não acalmou Ryan. – Eu não sei nadar!
Agora Seth estava se sentindo mal. Primeiro, ele tinha ofendido Ryan quando presumiu que ele não soubesse o que era o novo Play Station, depois falou sobre roubo de carros e agora estava com Ryan no meio do oceano e ele não sabia nadar. Quando voltasse, teria um amigo a menos do que tinha antes. “Será que é possível ter amigos negativos?” Ele pensou. E se Ryan se afogasse? O que seria pior?
-- Eu dificilmente viro, mas por via das dúvidas me melhor você colocar isto – Seth disse enquanto entregava um colete salva-vidas para Ryan e tentava acalmar a situação.
Ryan pegou o colete e ficou olhando meio sem graça, mas Seth entendeu. “Eu também deveria colocar um...”
Página 62
Os garotos velejaram em silencio enquanto Seth se afastava da costa. Dali, Ryan podia ver toda a bela extensão da praia de Newport. E embora ainda estivesse apavorado com o mar aberto, estava muito embasbacado com as mansões alinhadas sobre os penhascos e as praias para se importar. Uma casa dali era maior do que um quarteirão inteiro de casas em Chino. Ryan pensou na sua casa. O que iria acontecer com ele ali? Ele voltaria para Chino um dia? Ele veria Theresa novamente? O que sua mãe diria quando ele voltasse? Ele tinha, realmente, sido expulso para sempre?
Seth estava se sentindo desconfortável com o silencio. Ele podia ver os olhos de Ryan movendo-se rapidamente, como se estivesse pensando. Seth ficou nervoso. “Esse cara deve estar me achando um completo imbecil”, Seth pensou. “Provavelmente ele está entediado. Isso não é como roubar um carro. É uma comparação sem graça.” Ele se sentiu um babaca. Mas precisava pensar em algo para dizer. O silencio o estava matando e ele precisava redimir-se por ter levado Ryan para um passeio tão monótono. Não havia ondas e o vento estava começando a diminuir. Isso não era velejar de verdade, mas talvez Ryan não percebesse. Seth procurou alguma coisa, qualquer coisa para começar uma conversa.
-- Então... é a primeira vez que você veleja. Está gostando? Ryan não respondeu. Não conseguiu. Sua cabeça ainda estava em Chino. Mas Seth estava sendo tão legal. Ele fez que sim. Seth também acenou com a cabeça.
-- Eu amo.
Mas o plano de Seth não tinha funcionado. Lá estava o silencio de novo. “E agora?”, ele pensou. Ryan ficou olhando para a costa. Para as casas. Para a casa de Marissa. Seth estava ficando incomodado. Será que ele podia contar sobre Summer? Seu plano. Talvez Ryan gostasse. Achasse charmoso. Mas que idiotice, para que ele iria querer que Ryan o achasse charmoso? Ele não queria, mas precisava dizer alguma coisa. Alguma coisa sobre o qual pudessem conversar. Algo que durasse todo o caminho de volta até a praia.
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Ryan continuava pensando em Chino, sobre como tinha abandonado Theresa. Sobre seu irmão, em uma cela escura e úmida e se sentia culpado por estar ali, no meio do oceano, por pensar em Marissa. E se sentiu culpado por não dar atenção a Seth.
Voltou-se para Seth enquanto ele continuava a falar. Seth tinha se decidido. Iria contar seu plano para Ryan.
-- eu tenho esse... plano. Ou, não sei. Você pode achar... – ele não acreditava que estava fazendo isso. – Que seja, talvez, mas... – não era como contar para o Capitão Aveia. – Em julho do ano que vem, os ventos vão virar para oeste. E eu... bem... eu quero ir para o Taiti. Posso fazer isso em 44 dias. Talvez até 42.
Ryan não sabia direito o que responder; nunca tinha conhecido ninguém com planos tão grandiosos. – Nossa. Isso parece... – Ele queria dizer que parecia incrível. Como um dos melhores planos que ele já tinha ouvido, mas não podia. Não queria que Seth o achasse delicado.
Mas Seth terminou a frase para ele. – O máximo? Será que Ryan estava entendendo mesmo? Seth estava em choque. Nunca tinha contado esse plano para alguém de verdade antes. Tomou coragem e decidiu continuar. – Sem regras. Sem mapas. Só o sol e as estrelas. E, talvez, um sextante. Pescar peixes direto do barco, grelha-los bem aqui. Silencio total. Solidão.
Ryan continuava atônito. Seth tinha sonhos. E também acreditava neles. Isso era incrível para ele. Ele queria saber mais: – Não vai se sentir triste e solitário?
Seth respondeu sem pestanejar: – Vou levar Summer comigo. – Ele abafou as palavras. Tinha estragado tudo.
Ryan olhou para a lateral do barco. Estava escrito Summer Breeze. – É isso que você vai levar pro Taiti?
Então Seth percebeu que era o fim. Um amigo negativo. Ele estava prestes a soar incrivelmente patético. – Não. A garota que inspirou o nome do barco.
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Ryan achou que ela deveria ser alguma namorada. Ele nunca tinha feito nada tão doce para Theresa e eles se conheciam desde os cindo anos de idade. Mas talvez as relações funcionassem dessa forma por aqui.
-- Ela deve ter ficado muito contente.
Seth estava apavorado com as palavras que ias sair de sua boca: – É... ela não faz idéia. Nunca falei com ela.
Agora Ryan estava se sentindo mal por ter trazido o assunto à tona. Ele percebeu que esse era o assunto doloroso ara Seth e poderia jurar que ele estava constrangido. Voltaram para a praia em silencio. O vento soprou forte outra vez. Ryan agarrou com força a lateral do barco. Os nós dos dedos ficaram brancos quando ganharam velocidade e aportaram na areia macia.
Sandy desceu a colina para encontrar os garotos enquanto eles tiravam o barco da água.
-- Então, Seth, eu estava pensando que nós poderíamos ir ao desfile de moda por volta das sete?
“Ótimo”, Seth pensou. As dificuldades e os problemas do ano escolar começariam mais cedo.
-- Divirta-se – Seth retrucou.
Ryan se perguntou por que Seth não queria ir. Ele olhou para cima e viu a casa dos Cooper. Ficou pensando em Marissa. Seria ela na janela? Ele não conseguia tirar a imagem dela de sua cabeça desde a noite passada. Sua pele bronzeada, seus cabelos loiro-escuros. E o cigarro da sorte que ela tinha fumado. Ele precisava encontra-la. Ele precisava daquela sorte.
Seth e seu pai continuaram a discutir sobre o desfile, mas Ryan só conseguia pensar em Marissa. Havia algo nela que o intrigava. Fazia com que ele se sentisse vivo nesse mundo perdido.
-- Bem, o Ryan precisa ir. A Marissa o convidou. – Até Sandy sabia disso. Seth ficou surpreso.
-- Ela convidou? – Seth começou. – Sou vizinho dela desde...
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... sempre, minha mãe quase se casou com o pai dela e ela nunca me convidou nem para um aniversário.
Agora Ryan estava entendendo a situação de Seth. E se sentiu solidário. No momento ele também se sentia um intruso. Ryan resolveu ajudar Seth. – Talvez a Summer esteja lá...
-- Ela é a melhor amiga da Marissa... interessante... Às sete? Seth também iria ao desfile.
Ryan sorriu por dentro. Estava feliz por ter feito algo por alguém pra variar. Esse era mais o seu estilo. Ele tinha gostado de Seth e sentia por ele.
Seth foi caminhando para casa, deixando Sandy e Ryan sozinhos. Ele sentia que o dia tinha sido de moderado sucesso. A Operação Amigo Criminoso poderia funcionar no final das contas. Talvez ele tivesse se exposto um pouco demais na história da Summer, mas fora isso, as coisas não pareciam tão ruins.
Sandy esperou até Seth não poder ouvir. – Quem é essa Summer?
-- Eu não me preocuparia com isso – Ryan disse, lembrando-se do sonho que Seth havia lhe contado no barco. Sandy deu-lhe um tapinha nas costas e foram subindo a colina para se prepararem para o desfile.
Logo acima, Marissa estava na varanda. Assistindo. Observando Ryan enquanto ele caminhava com Sandy. Seu tórax forte. Os músculos aparentes. Ela não conseguia tira-lo de seus pensamentos desde a noite anterior. Havia algo de diferente nele. Ele a intrigava. Fazia com que ela esquecesse a monotonia de Newport. Sua vida mundana. Ele era seu vestido Pucci. Sua válvula de escape. E ela queria mais.Continuou olhando enquanto ele entrava na casa. Refletindo. Ela o veria mais tarde.
Haviam se passado oito horas e Seth continuava sem ter um plano. O sol da Califórnia ergueu-se sobre o Oceano Pacífico e cobriu a casa dos Cohen. Ele espiou pela janela. Nenhum sinal de movimento perto da casa da piscina.
-- Muito bem, Capitão Aveia, chegou o dia. Você está pronto? Silencio. – Foi o que pensei. Ótimo, você fica aqui. Eu vou enfrentar o meu destino.
Seth vestiu uma camiseta e desceu as escadas. Na cozinha, encontrou um bilhete. Sua mãe tinha ido ao escritório e seu pai estava fazendo compras no mercado. “Ótimo”, Seth pensou enquanto lia a última linha: mostre a casa para Ryan e certifique-se de que ele tome café da manhã. “Quando foi que me tornei o guia turístico da casa dos Cohen?”
Seth deixou o bilhete no balcão resmungando. Então, pegou uma rosquinha e sentou-se à mesa da cozinha. Encontrou o Caderno de Artes e Lazer na pilha de jornais e começou a ler. Seu ritual de todas as manhãs. Mas esse era um sábado diferente. Ele não conseguia se concentrar. Não com Ryan, lá fora, dormindo na casa da piscina. A agitação e o nervosismo da noite passada...
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...voltaram. A Operação Amigo Criminoso estava começando a parecer a pior idéia de todos os tempos.
Como ele iria falar com Ryan? Ele não tinha o Capitão Aveia e não era Kavalier. Por que seus pais o tinham deixado sozinho? Quando voltassem, precisava conversar com eles. Esse era um comportamento inaceitável. Eles deveriam estar ajudando e não ao contrário.
Seth jogou o caderno de Artes e Lazer na mesa e pegou seu café da manhã. Não conseguia continuar sentado em silencio, simplesmente esperando que o criminoso acordasse e entrasse para comê-lo vivo. Ele precisava fazer alguma coisa. Precisava distrair-se. Então foi para a outra sala e começou a jogar seu jogo de vídeo-game favorito. Seth estava contente, pelo menos por enquanto.
Do lado de fora, Ryan acordou surpreso. Desorientado. Por um momento, encolheu-se entre os lençóis, esperando pelo tapa de A.J. ou pelos gritos de sua mãe mandando que ligasse para o serviço para dizer que ela estava doente, mas tudo estava tranqüilo. Só o cantar de uma gaivota e o som do oceano. Ryan olhou ao redor e se lembrou de onde estava. Seria um sonho? Ele se beliscou para saber se era verdade. E sentiu a dor. Não era um sonho.
Lentamente, Ryan colocou sua calça jeans enquanto olhava em volta. A casa da piscina era quase do tamanho da sua casa toda em Chino. Ele não conseguia acreditar que tinha dormido ali. Então, se lembrou de Marissa, a garota da casa vizinha, e de ter andado no carro de Sandy Cohen e, por um momento, ficou atordoado. Raspou os dedos no piso. Um reflexo.
Saiu de lá e descobriu que a casa era ainda mais espetacular do que pensava. A piscina enorme, o gramado perfeito, a vista para o oceano. Esse era o verdadeiro paraíso. Demais para Ryan suportar de estômago vazio. Ele foi andando até a porta dos fundos imaginando que encontraria algo para comer.
Quando abriu a porta, viu-se frente a frente com Seth. Não exatamente, mas foi como ele se sentiu. Eram os únicos na casa.
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Ele ficou um pouco surpreso, mas se lembrou de Sandy ter mencionado o filho. Devia ser ele. Mas Ryan não soube o que dizer além de “oi”.
-- Oi.
“É isso. É exatamente isso”, Seth pensou. O.K. finja que está tudo normal. Apenas o ignore por um momento. Seth virou-se para a TV de plasma e continuou jogando.
Ryan ficou parado, aguardando constrangido. Ele podia entrar?
Seth se lembrou do bilhete da mãe. “seja legal”, ele pensou. O.K.!
-- É o novo Play Station – Seth falou com a melhor das intenções. Ryan deu um passo à frente.
-- Eu sei.
Talvez Ryan soubesse mais do que Seth imaginava. Agora ele estava se sentindo mal. Será que o tinha ofendido? Precisava fazer alguma coisa para consertar seu erro.
-- Quer jogar? – perguntou com a voz fraca.
Ryan hesitou um pouco. – Claro.
Ryan sentou-se no chão, ao lado de Seth, e pegou um controle extra. Eles começaram a jogar e, quando Ryan estava para destruir o ninja de Seth, Seth fez uma pausa no jogo. Lembrou-se do bilhete de sua mãe. Ryan devia estar morrendo de fome.
Ryan pareceu confuso. O que ele tinha feito?
-- Você não quer comer alguma coisa?
Então Ryan entendeu. Fez que sim com a cabeça. Seth levantou-se e foi para a cozinha. Abriu o armário e começou a listar todos os cereais conhecidos pela humanidade. Ryan estava atônito. Na casa dele era sorte ter uma caixa. Ryan disse a Seth que comeria o mesmo que ele fosse comer. Não queria deixar as coisas mais difíceis e complicadas.
Seth voltou com o cereal e voltaram a jogar. Os dois foram entrando no jogo e começaram a aproximar-se enquanto continuavam lutando na tela. “Não é tão ruim”, pensou Seth.
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Talvez Ryan não fosse um criminoso durão. Talvez fosse mais parecido com Dean, o garoto com passagem pela prisão aguardando sua chance.
Os garotos continuavam a rir e a jogar. Sandy chegou em casa do mercado e parou, imóvel, a caminho da porta. O som não era familiar. As risadas dos garotos. Ele não conseguia acreditar, mas estava emocionado. Parou por um momento e observou os garotos jogando.
-- Vai logo! Eles vão nos matar! – Seth exclamou.
-- Que tal eu te dar cobertura? – Ryan perguntou.
E Seth foi em frente. Ambos apertaram os botões com fúria, mas sem resultado. Jogaram os controles para cima. Tinham perdido. Era hora de começar um novo jogo.
Seth ficou nervoso por um momento. Precisava escolher o jogo sabiamente. Não queria parecer um babaca. Ele pensou em todos os jogos que tinha e teve a idéia perfeita. Esse jogo era legal.
-- Quer jogar Grand Theft Auto? Ryan ficou olhando para ele. – É muito bom. Você pode roubar carros... – então, Seth percebeu. Ele tinha mesmo dito aquilo para Ryan, o criminoso? O garoto que estava ali porque tinha roubado um carro? Agora ele estava ferrado. Tinha estragado tudo. As coisas estavam indo tão bem. Tentou melhorar a situação. – Não que seja legal. Ou ruim. Mas...
Sandy viu seu filho gaguejando e fazendo o que os Cohen faziam: tentando escapar pela tangente e conseguindo apenas cavar um buraco ainda maior. Entrou para salva-lo.
-- Vejo que se conheceram. – Os garotos concordaram com a cabeça. – O que estão fazendo sentados aqui dentro? Está um dia lindo. Seth, por que você não vai dar uma volta com Ryan?
“Ótimo”, pensou Seth. Agora ele podia levar Ryan para dar uma volta e apresentá-lo a todos os amigos que ele não tinha. Ou, melhor ainda, podia mostrar todos os grupos diferentes de adolescentes – os surfistas/chapados e os jogadores de pólo aquático – e mostrar como ele se entrosava super bem.
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-- Claro, pai, aqui é tão legal... Tem tanta coisa pra fazer... – Seth estava se sentindo triste em Newport e não tinha vontade de sair, mas então percebeu que Ryan estava olhando para ele. Ele precisava de uma resposta melhor. – A menos que... o que você quer fazer?
Então, Ryan, sem ter muita certeza de que ele quisesse saber a resposta mas bastante curioso, perguntou:
-- O que vocês costumam fazer por aqui?
Seth mostrou a casa para Ryan e depois andaram até a praia. Lá abaixo da casa dos Cohen e de Marissa, Seth aprontou seu veleiro. Ryan tentou ajudar mas só estava atrapalhando. Não sabia nada sobre barcos.
O único barco que já tinha visto de perto era o barquinho de brinquedo com que ele brincava na banheira quando era criança, e essa era uma lembrança antiga. Tudo nesta praia o surpreendia. Ele nunca tinha vivido em lugar onde se pudesse caminhar até a praia e ter seu próprio barco. A coisa mais legal de que tinha se aproximado a pé ao sair de sua casa tinha sido o Slip and Slide* que a mãe de Theresa trouxera um dia para casa quando eles eram crianças. Ela o encontrara em um bazar na casa de Irvine, quando estava voltando do trabalho. Esse também tinha sido o mais perto que Ryan já tinha chegado de tanta água.
-- Pronto? – Seth perguntou enquanto colocava lentamente o barco na água.
Ryan olhou a vastidão do oceano à sua frente. Ele não conseguia acreditar que ia fazer isso. – Lógico – disse, enquanto ajudava Seth a empurrar o barco para a água.
*brinquedo feito em material semelhante ao de piscinas plásticas que tem a forma de duas pistas de corrida. Ligado a uma mangueira, solta água pela parte central e as crianças podem escorregar.
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Seth subiu na parte de trás do barco, arrumando o leme, para garantir que pegariam o vento certo. Ryan podia perceber que isso era algo que Seth fazia com freqüência. Ele estava impressionado. A maioria dos adolescentes que conhecia só sabia matar aula e se esconder da policia, ou, como seu irmão, roubar carros. Ele nunca tinha conhecido alguém dessa idade que fosse apaixonado por alguma coisa, mas dava pra ver que Seth realmente gostava daquilo.
-- Faz tempo que você faz isso?
-- Meu avô me ensinou quando eu tinha seis anos. Ele veleja muito. Tem um iate também. De vez em quando eu piloto. Mas não é sempre.
Ryan concordou com a cabeça. Então...
-- Mude a direção! – Ryan olhou para ele. “O quê?” – Vire! – E, de repente, Ryan viu a vela balançando acima de sua cabeça. Ele entendeu.
-- Virando!
Ryan abaixou e passou para o outro lado do barco. Não era tão divertido assim. Ele estava assustado. Seth percebeu seu desconforto.
-- Relaxa! Na pior das hipóteses você cai na água.
Mas isso não acalmou Ryan. – Eu não sei nadar!
Agora Seth estava se sentindo mal. Primeiro, ele tinha ofendido Ryan quando presumiu que ele não soubesse o que era o novo Play Station, depois falou sobre roubo de carros e agora estava com Ryan no meio do oceano e ele não sabia nadar. Quando voltasse, teria um amigo a menos do que tinha antes. “Será que é possível ter amigos negativos?” Ele pensou. E se Ryan se afogasse? O que seria pior?
-- Eu dificilmente viro, mas por via das dúvidas me melhor você colocar isto – Seth disse enquanto entregava um colete salva-vidas para Ryan e tentava acalmar a situação.
Ryan pegou o colete e ficou olhando meio sem graça, mas Seth entendeu. “Eu também deveria colocar um...”
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Os garotos velejaram em silencio enquanto Seth se afastava da costa. Dali, Ryan podia ver toda a bela extensão da praia de Newport. E embora ainda estivesse apavorado com o mar aberto, estava muito embasbacado com as mansões alinhadas sobre os penhascos e as praias para se importar. Uma casa dali era maior do que um quarteirão inteiro de casas em Chino. Ryan pensou na sua casa. O que iria acontecer com ele ali? Ele voltaria para Chino um dia? Ele veria Theresa novamente? O que sua mãe diria quando ele voltasse? Ele tinha, realmente, sido expulso para sempre?
Seth estava se sentindo desconfortável com o silencio. Ele podia ver os olhos de Ryan movendo-se rapidamente, como se estivesse pensando. Seth ficou nervoso. “Esse cara deve estar me achando um completo imbecil”, Seth pensou. “Provavelmente ele está entediado. Isso não é como roubar um carro. É uma comparação sem graça.” Ele se sentiu um babaca. Mas precisava pensar em algo para dizer. O silencio o estava matando e ele precisava redimir-se por ter levado Ryan para um passeio tão monótono. Não havia ondas e o vento estava começando a diminuir. Isso não era velejar de verdade, mas talvez Ryan não percebesse. Seth procurou alguma coisa, qualquer coisa para começar uma conversa.
-- Então... é a primeira vez que você veleja. Está gostando? Ryan não respondeu. Não conseguiu. Sua cabeça ainda estava em Chino. Mas Seth estava sendo tão legal. Ele fez que sim. Seth também acenou com a cabeça.
-- Eu amo.
Mas o plano de Seth não tinha funcionado. Lá estava o silencio de novo. “E agora?”, ele pensou. Ryan ficou olhando para a costa. Para as casas. Para a casa de Marissa. Seth estava ficando incomodado. Será que ele podia contar sobre Summer? Seu plano. Talvez Ryan gostasse. Achasse charmoso. Mas que idiotice, para que ele iria querer que Ryan o achasse charmoso? Ele não queria, mas precisava dizer alguma coisa. Alguma coisa sobre o qual pudessem conversar. Algo que durasse todo o caminho de volta até a praia.
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Ryan continuava pensando em Chino, sobre como tinha abandonado Theresa. Sobre seu irmão, em uma cela escura e úmida e se sentia culpado por estar ali, no meio do oceano, por pensar em Marissa. E se sentiu culpado por não dar atenção a Seth.
Voltou-se para Seth enquanto ele continuava a falar. Seth tinha se decidido. Iria contar seu plano para Ryan.
-- eu tenho esse... plano. Ou, não sei. Você pode achar... – ele não acreditava que estava fazendo isso. – Que seja, talvez, mas... – não era como contar para o Capitão Aveia. – Em julho do ano que vem, os ventos vão virar para oeste. E eu... bem... eu quero ir para o Taiti. Posso fazer isso em 44 dias. Talvez até 42.
Ryan não sabia direito o que responder; nunca tinha conhecido ninguém com planos tão grandiosos. – Nossa. Isso parece... – Ele queria dizer que parecia incrível. Como um dos melhores planos que ele já tinha ouvido, mas não podia. Não queria que Seth o achasse delicado.
Mas Seth terminou a frase para ele. – O máximo? Será que Ryan estava entendendo mesmo? Seth estava em choque. Nunca tinha contado esse plano para alguém de verdade antes. Tomou coragem e decidiu continuar. – Sem regras. Sem mapas. Só o sol e as estrelas. E, talvez, um sextante. Pescar peixes direto do barco, grelha-los bem aqui. Silencio total. Solidão.
Ryan continuava atônito. Seth tinha sonhos. E também acreditava neles. Isso era incrível para ele. Ele queria saber mais: – Não vai se sentir triste e solitário?
Seth respondeu sem pestanejar: – Vou levar Summer comigo. – Ele abafou as palavras. Tinha estragado tudo.
Ryan olhou para a lateral do barco. Estava escrito Summer Breeze. – É isso que você vai levar pro Taiti?
Então Seth percebeu que era o fim. Um amigo negativo. Ele estava prestes a soar incrivelmente patético. – Não. A garota que inspirou o nome do barco.
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Ryan achou que ela deveria ser alguma namorada. Ele nunca tinha feito nada tão doce para Theresa e eles se conheciam desde os cindo anos de idade. Mas talvez as relações funcionassem dessa forma por aqui.
-- Ela deve ter ficado muito contente.
Seth estava apavorado com as palavras que ias sair de sua boca: – É... ela não faz idéia. Nunca falei com ela.
Agora Ryan estava se sentindo mal por ter trazido o assunto à tona. Ele percebeu que esse era o assunto doloroso ara Seth e poderia jurar que ele estava constrangido. Voltaram para a praia em silencio. O vento soprou forte outra vez. Ryan agarrou com força a lateral do barco. Os nós dos dedos ficaram brancos quando ganharam velocidade e aportaram na areia macia.
Sandy desceu a colina para encontrar os garotos enquanto eles tiravam o barco da água.
-- Então, Seth, eu estava pensando que nós poderíamos ir ao desfile de moda por volta das sete?
“Ótimo”, Seth pensou. As dificuldades e os problemas do ano escolar começariam mais cedo.
-- Divirta-se – Seth retrucou.
Ryan se perguntou por que Seth não queria ir. Ele olhou para cima e viu a casa dos Cooper. Ficou pensando em Marissa. Seria ela na janela? Ele não conseguia tirar a imagem dela de sua cabeça desde a noite passada. Sua pele bronzeada, seus cabelos loiro-escuros. E o cigarro da sorte que ela tinha fumado. Ele precisava encontra-la. Ele precisava daquela sorte.
Seth e seu pai continuaram a discutir sobre o desfile, mas Ryan só conseguia pensar em Marissa. Havia algo nela que o intrigava. Fazia com que ele se sentisse vivo nesse mundo perdido.
-- Bem, o Ryan precisa ir. A Marissa o convidou. – Até Sandy sabia disso. Seth ficou surpreso.
-- Ela convidou? – Seth começou. – Sou vizinho dela desde...
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... sempre, minha mãe quase se casou com o pai dela e ela nunca me convidou nem para um aniversário.
Agora Ryan estava entendendo a situação de Seth. E se sentiu solidário. No momento ele também se sentia um intruso. Ryan resolveu ajudar Seth. – Talvez a Summer esteja lá...
-- Ela é a melhor amiga da Marissa... interessante... Às sete? Seth também iria ao desfile.
Ryan sorriu por dentro. Estava feliz por ter feito algo por alguém pra variar. Esse era mais o seu estilo. Ele tinha gostado de Seth e sentia por ele.
Seth foi caminhando para casa, deixando Sandy e Ryan sozinhos. Ele sentia que o dia tinha sido de moderado sucesso. A Operação Amigo Criminoso poderia funcionar no final das contas. Talvez ele tivesse se exposto um pouco demais na história da Summer, mas fora isso, as coisas não pareciam tão ruins.
Sandy esperou até Seth não poder ouvir. – Quem é essa Summer?
-- Eu não me preocuparia com isso – Ryan disse, lembrando-se do sonho que Seth havia lhe contado no barco. Sandy deu-lhe um tapinha nas costas e foram subindo a colina para se prepararem para o desfile.
Logo acima, Marissa estava na varanda. Assistindo. Observando Ryan enquanto ele caminhava com Sandy. Seu tórax forte. Os músculos aparentes. Ela não conseguia tira-lo de seus pensamentos desde a noite anterior. Havia algo de diferente nele. Ele a intrigava. Fazia com que ela esquecesse a monotonia de Newport. Sua vida mundana. Ele era seu vestido Pucci. Sua válvula de escape. E ela queria mais.Continuou olhando enquanto ele entrava na casa. Refletindo. Ela o veria mais tarde.
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